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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Mundo é dos Nets

“Versos em estrela
Estrada em devaneio
Sonhos prometidos
Sonhos pervertidos
Pela janela ou em frente
Ao lago, lua cheia
Versos vêm ao vento
Na fumaça da noite.
Filtro o que se vê
E que o ventre
Adentre o que semeia
Sou mais um cantor
Trovador da conquista, fútil
O fantasma que à soleira canta
Soprando ritos em frestas
Salvaguardando a tempestade,
Sobrevôo a maré cheia
Sorvo o doce e o doce céu
Mel em cadeia frente
À fronte cheia.
Sonho...
E são meus versos em estrela.
E que aguardemos o reencontro...
Obrigado por dias maravilhosos”

Com esse cartão e um buquê de flores, Pedro se despediu de Lorena. Esse foi o “até breve” mais difícil que eles tiveram que dar até então, já que esse foi o primeiro encontro dos dois, após se apaixonarem. Como moram em cidades diferentes, o relacionamento vinha sendo mantido pela internet.

Eles se conheceram por acaso, quando ela foi fazer um favor para o irmão e Pedro era o funcionário designado para atendê-la. Logo rolou um clique (mais especificamente, no momento em que ele beijou a mão dela). Trocaram contatos e, via Orkut e MSN, começaram a se conhecer.

A rotina virtual diária incluía um intercâmbio intenso de poesias autorais (ambos são poetas!) e, como não, o clique inicial ganhou contornos mais definidos. Não dava mais para dizer que aquilo era apenas amizade.

A coisa esquentou tanto que Lorena se organizou para visitá-lo. Mas as coisas não deram certo. Foi aí que ele saiu fugido de Mato Grosso e veio parar em Brasília. Quando se encontraram, faltou tempo e oxigênio para tanto beijo, filme, sushi e champagne. Dormiram juntos, andavam grudados. Ele fez questão de conhecer até mesmo a avó dela.

Na difícil despedida, ela deu a ele um livro de poesia, com a dedicatória: “Entre o meu mundo e o seu mundo, uma ponte: poesia”. E ele, ávido por surpreendê-la, mandou entregar um buquê de flores, afagado pelo cartão com poesia. Parecia coisa de cinema, um amor shakespeariano!

Como não poderia deixar de ser, continuaram a se falar, todos os dias. Só que, uma determinada tarde, ela viu algo que doeu no peito: uma foto dele pegadinho com uma menina. Chateada, perguntou sobre a garota. Ele disse que eles não tinham ficado, o que a deixou aliviada, mas, logo em seguida, veio a facada: “Olha, acho que não fiz nada que permitisse a você acreditar que temos um relacionamento ou que ficaríamos juntos. Eu simplesmente não acredito em namoro à distância”.

Claro. Os 44 dias de internet, as 1.500 mensagens, as poesias e as flores não significaram nada. Aliás, a Lorena é mesmo muito boba por achar que essas coisas teriam algum significado verdadeiro, né? Parece que não conhece as táticas dos homens para conseguirem o que querem... O esquema pós-moderno de paquera parece ser: use todas as armas que puder e dane-se o coração alheio! Vale tudo para garantir diversão pro próximo feriado!

By Mari Abreu (com contribuição importantíssima da Lorena)

* Recado da Lorena para o Pedro: se achar ruim a sua poesia publicada no blog, me avise. Colocamos seu nome completo e uma foto para dar crédito às merdas que você fez (porque a sua poesia também é bem ruim).

9 comentários:

Gabrielle Avelar disse...

Que coisa, não? Sei bem como é isso, gente!!!
Mas, como tudo na vida, a dor também passa. Depois vem a fase da raiva, depois da pena e, ainda, aquela em que não se sente absolutamente nada.
Mas, concordo com a Mari com essa coisa da - ainda - ingenuidade feminina e da "esperteza" dos homens. Tão triste. Triste. Mas, o texto, como sempre, o texto está maravilhoso!!!

Lorena disse...

Gabrielle,

A dor passou, a raiva tbm, a pena ainda não.
Mas acho que é muito válido divulgar a tática para que nenhuma mocinha indefesa caia na mesma cilada que eu. Relacionamentos à distância são, quase sempre, barcas furadas.
Rapazes viajantes tanto quanto.
E quanto à ingenuidade feminina, mantenho a minha. Não me perdoaria tratar um bem intencionado como um mané palhaço!
Pelo menos as minhas poesias eu guardei. As dele não valem a pena nem como leitura de sala de dentista...

Mari Abreu disse...

Acho que a Lorena tem razão quanto à ingenuidade: é bom mantê-la. Mas não sei se chamaria de ingenuidade. Acho que o adequado é dizer: devemos continuar abertas, apesar dos pesares, e nunca se deixar traumatizar - porque, afinal, o homem que vem não tem culpa alguma do traste que se foi. Quanto ao comportamento masculino, graças a Deus existem homens maravilhosos neste mundo! Mas é muito triste ver os alguns caras usando técnicas que, sabidamente, derretem o coração feminino só para conseguir um beijo ou uma foda!

Nira Foster disse...

Como vítima do "não sabia que você estava tão envolvida" declaro que a raiva passa....Nira Foster

Anônimo disse...

Damn! Karla

Anônimo disse...

Então, acho que o cara não fez nada demais. Precisamos desses artifícios para ter relações sexuais? Sim! Se falarmos a verdade vai rolar alguma coisa? Não! Se o Pedro não houvesse ido tão bem, nem teria rolado nada. A Lorena esperava o que... casar-se com Pedro? Que viagem! Nelson Rodrigues de Araque.

Carol disse...

Concordo com a manutenção da "ingenuidade" feminina. Na verdade, enxergo como a Mari: quem vem não tem culpa do idiota que partiu. E se pararmos para pensar, quem realmente perde a oportunidade somos nós, se não estivermos abertas para um cara legal. Quanto ao relacionamento a distância... Nem sei por onde começar. Eu namoro há dois anos a distância e meu namorado viaja bastante a trabalho. Nos vemos praticamente todo o fim de semana, pois fazemos questão, os DOIS, disso. Se ele quiser me trair, certamente não é a distância geográfica que irá trazer a oportunidade. Será a fraqueza dele (ou para quem preferir, a ridícula e intragável desculpa da tal natureza masculina) ou algum problema no relacionamento. Seja qual for o motivo dele, ele faria na mesma cidade ou longe de mim. De tal forma, minha gente, que prefiro viver intensamente, me apaixonando sempre e, quando necessário, tomar a definitiva e dolorosa decisão da separação. Faz parte da vida. A minha consciência vive bem tranquila.

Anônimo disse...

"A maior covradia de um homem é conquistar o coração de uma mulher sem a intenção de amá-la" (frase atribuída ao Bob Marley, mas que serve como vice-versa, porque tem muita mulher sacana por aí também!)Lígia.

Mari Abreu disse...

Falou e disse, Liginha!

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