É dureza admitir, mas devo dizer que sou cabeça-dura.
Quando bato o pé a respeito de alguma coisa, ninguém me faz mudar de ideia. Ninguém mesmo.
Eu sempre fui daquelas pessoas que tinham respostas para tudo.
Adorava as regras (e "exigia" que todos as cumprissem).
Era o moralismo em pessoa.
Graças a tanta dureza, deixei para trás amizades valiosíssimas.
É verdade que a pessoa errou (e feio) comigo. Vacilou muito.
Mas hoje vejo que a mágoa pelo fim da amizade é maior do que a dor que senti no momento.
Também me lembro, com o peito apertado, de colegas que foram alvo dos meus ataques moralistas.
Quantas amigas já não ouviram sermões quilométricos sobre o absurdo que é trair o namorado (ou virar amante)!
Tudo bem. Queria protegê-las. Evitar futuros sofrimentos. Cuidar.
Mas em nenhum momento eu parei de verdade para ouvir o que estava por trás daquilo.
Por que elas procuraram consolo em outros braços.
Era mais fácil julgar.
E o tanto que ridicularizei pessoas que terminavam um namoro, queimavam o filme do cara, pra depois voltarem às boas, na primeira oportunidade?
Ou então as que davam um ultimato, o cara fugia corrido e ainda assim elas aceitavam o "pouco" que ele tinha a oferecer?
Já desprezei colegas de trabalho que falaram mal de mim pelas costas.
Verdadeira decepção, eu sei, descobrir uma coisa dessas.
Mas quem aqui não sabe que o mundo é competitivo? Que as pessoas são, às vezes, canalhas? Que a inveja sempre existiu e vai continuar existindo?
Tudo bem! Ninguém quer ser alvo de nada parecido, mas passar o resto da vida de mal ou alimentar dentro de si um ódio crescente não dá.
E o que dizer de ficar brava porque aquele namorado que te jurou amor eterno conheceu alguém e mudou de ideia?
É verdade. It hurts like hell! Mas as pessoas são assim! Mudam! Como culpar alguém por isso?
A grande merd... é que, no fim das contas, quem sofre é você. Quem carrega esse ressentimento insuportável no peito é você. Não quem te magoou.
Ainda bem que a vida é por demais esperta (sabe de nada, inocente!).
Você, mais dia, menos dia, acaba pagando a língua - e faz exatamente as mesmas coisas que um dia condenou.
Não sei se foi por isso que mudei.
Que deixei pra trás tanto radicalismo.
Que comecei a rever minhas posturas.
Só sei que hoje sou outra (espero!).
Tudo bem. Ainda posso ser muito inflexível, mas penso duas vezes antes de condenar alguém (a não ser que no dia em que meu espírito ariano está com tudo! Aí, sai de baixo!).
E nem é porque um dia posso fazer igual e não vou querer ser repreendida.
É porque não vale a pena levar tudo a ferro e fogo.
A dor que fica é grande demais.
Conheço histórias maravilhosas de pessoas que souberam dar a volta por cima em situações difíceis e que são extremamente felizes, realizadas.
Isso só acontece porque não há regras.
O que funciona com um pode não funcionar com outro.
E a gente só aprende isso vivendo.
Caindo e se levantando.
Pode ser que uma traição coloque um ponto final em um relacionamento.
Mas pode ser também que tire o casal da rotina e o "force" a repensar a relação, a melhorar as coisas, a dar mais valor um ao outro.
Pode parecer insano tratar com educação alguém que te passou a perna no trabalho.
Mas, ao fazer isso, você não só fica livre daquele ódio que corrói, como mostra ao outro quem é que sabe dar a volta por cima.
E é por isso que hoje eu erro sem tanto peso na consciência.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Errar é preciso
domingo, 13 de abril de 2014
Um sonho de liberdade
Sonho com o dia em que vou ser livre.
Não livre metaforicamente falando, mas VERDADEIRAMENTE livre.
Livre não só para viver minha vida.
Mas para vivê-la sem interferências. Sem cobranças. Sem pressões.
Eu sinto que tenho uma vida maravilhosa.
Realizei muitos sonhos (muitos deles bem cedo).
E minhas conquistas me fazem sentir abençoada. Privilegiada até.
Tenho a vida que pedi a Deus.
Acontece que nada disso parece importar.
Porque, apesar de tudo o que conquistei, de todos os obstáculos que venci, estou solteira.
E sabe como é.
Não importa o que você tem, quem é ou o que alcançou.
O que importa é estar casada - ainda que seja um casamento de fachada ou fracassado.
Mulher solteira, infelizmente, é sinônimo de mulher infeliz, mulher amarga, mulher sofrida.
Não que isso seja surpresa.
O Ipea mostrou, recentemente, que muita gente acha que mulher que anda de roupa curta merece ser estuprada.
Ou ainda que há mulher para casar e mulher para comer.
Então, nada mais "natural" do que achar que mulher tem que ter algum (qualquer) homem do lado para ser alguém. Para estar completa. Para ser respeitada, aceita.
O pior é que, a cada ano que passa, a pressão cresce.
E aí não é apenas a pressão pelo casamento. Soma-se a isso a pressão pelos filhos.
De repente, sem você se dar conta, você vira o assunto (e a preocupação) de todo mundo.
Em casa, no trabalho, na academia, no curso de mestrado ou na aula de costura, não importa, você é o grande assunto.
A sensação que dá é que a vida das pessoas é tão entendiante, frustrante ou triste que só resta se meter nos assuntos alheios - e transferir para mais alguém o peso do próprio fracasso.
Só que eu cansei.
Cansei de ser pressionada, cobrada.
Não tem o que fazer?
Vai ler um livro, plantar uma árvore ou aprender um ofício novo.
Ou, quem sabe, cuidar do SEU casamento? Se aproximar dos SEUS filhos?
Não estou aqui para servir de ponto de descarrego.
Se quiser ser minha amiga, torça por mim.
Torça pela minha felicidade.
Reze por mim. Mande boas vibrações.
E ofereça seu ombro quando eu estiver sofrendo ou até brigue comigo quando eu aprontar.
Só não me transforme mais no seu alvo.
Chega de bullying.
Ele só me magoa. Ele só me machuca. Ele só nos afasta.
Por isso, este ano, o presente de aniversário que mais desejo é que eu deixe de ser o tópico da sua preocupação e possa ser livre para viver.
Viver e continuar sendo feliz.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Eu não quero me casar!
Sim.
É isso mesmo que você leu.
Eu não quero me casar.
O quê?
Chocado?
Bem que eu imaginei.
Já sei. Você vai me lembrar que EU vivo falando sobre o assunto.
Externando meu desejo em formar uma família.
Sinto decepcioná-lo, mas você entendeu tudo errado.
Eu não quero me casar.
Quero, sim, me apaixonar.
Quero viver nas nuvens.
Quero sonhar acordada e rir sem motivo.
Quero me emocionar com o nascer e o pôr do sol.
Quero ver graça em casais de mãos dadas.
Quero sentir o estômago revirar às vésperas de cada encontro.
Quero colo e carinho.
Quero companheirismo, parceria.
Quero fazer planos, grandes ou pequenos.
Quero enxergar o brilho mesmo nas coisas mais diminutas.
Quero dançar em casa, sozinha, de pura felicidade.
Quero dormir abraçada.
E acordar saciada.
E, se for de nosso interesse e se assim a vida permitir, trilhar juntos um caminho.
Qual a diferença?
Toda.
Afinal, não estou falando de alcançar um objetivo. De concretizar um plano. De cumprir uma meta.
Casar, em si, não é o MEU fim.
Ser feliz é.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Cresça e apareça
Você me quer e já deixou isso claro. Eu me sinto muito lisonjeada, acredite. Mas, sabe, nunca menti para você. E isso deveria ser levado em consideração.
Já disse que somos muito diferentes. Estamos em estágios diferentes da vida. Enxergamos muitas situações praticamente de maneira oposta.
Queria que você entendesse que não estou sendo grossa. Que não estou com medo de viver essa experiência. Que não tenho preconceito com relação à sua idade. E que não me preocupo com o que os outros vão pensar.
Eu simplesmente não me sinto atraída por você.
E, sim, é uma merd... ter que te dizer isso assim, tão claramente, na cara. Mas você provocou. Pediu. Cobrou. Insistiu. Fez cena.
Eu tentei dar indiretas e ser discreta. Mas, como vi que você não entendeu o recado, mudei o approach.
E a sua reação? Lamentável, mas não posso dizer que estou surpresa.
Impressionante como homem vira moleque assim que ouve um não. Não cumprimenta, vira a cara, olha torto, desvia o caminho.
Tá, eu também não vou continuar ligando para alguém que me disse não, mas eu também não dou piti.
Sabe, o não faz parte da vida (não acredito que ninguém te ensinou isso). E pode estar certo de que você (e eu, minha vizinha, seu cachorro de estimação e o mundo todo) ainda vai ouvir muitos nãos. Em casa, no trabalho, no amor. Hoje, amanhã e sempre.
E se toda vez que você receber um não você pirar, meu amigo, prepare-se pra viver estressado. Prepare-se para virar o mal humorado, o chato, o pessimista, o reclamão.
Porque os nãos virão. Certeza.
E também nem adianta me fazer sentir mal por como lidei com a situação.
É bem verdade que eu sinto falta de poder conversar com você, de ao menos cumprimentá-lo, mas não vou dividir essa carga pesada que você carrega. Simplesmente porque não me arrependo de ter sido direta e sincera.
O tempo passa e as coisas mudam. Mas, honestamente? Não espere o amanhã chegar para rever seu comportamento. Mude hoje. Já passou da hora de você crescer.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Tolinho
Nossos olhares se encontraram em meio a uma multidão feliz e embriagada.
Poucos segundos depois, eu já sentia a respiração quente dele no meu cangote.
Nem preciso dizer o que veio a seguir.
Mas a tentativa de beijo falhou.
Esquivei-me (dessa grande e imperdível oportunidade).
Foi a primeira vez que ele tentou me beijar.
Mas não foi a primeira vez em que se “interessou” por mim.
Ele riu.
“Você sabia que eu fui obcecado por você? Nossa. Como fui. Durante uma semana, tudo o que fiz foi pensar em você, dia e noite. Aliás, qual é mesmo o seu nome?”
Aqui, uma pausa para reflexão.
Sério? O cara quer beijar a garota e a primeira coisa que ele diz, em meio à vastidão infinita de possibilidades, é que o interesse dele por você durou uma (pífia) semana e que ele nem se lembra do seu nome. Quão especial.
(Continuando...)
Você ri, por delicadeza. Diz seu nome.
Ele te elogia. “Nossa, você está linda! Ainda mais linda.” Admite que é possível (não vá ficar toda animadinha. Não há garantias) que role uma nova obsessão, como a daquela semana hoje distante.
Tudo para conseguir um beijo.
Mas o beijo não vem.
Ao todo, são cinco minutos de insistência.
Cansado do “esforço” hercúleo para me conquistar, ele vaza.
Beijo, tchau.
Dias depois, vem o pedido de amizade no Facebook.
Já amigos, a janela de bate-papo começa a piscar.
O papo segue o mesmo rumo do dia em que nos encontramos.
Agora, a cantada não é sobre sua mais nova (antiga) obsessão.
É diferente.
Ele parte com tudo pra cima.
E solta o que acredita ser uma proposta irresistível.
“Que tal nós dois na sua casa? Você cozinha. Eu tomo uma cerveja gelada, enquanto vejo jogo. A gente janta. E faz amor.”
Não, obrigada.
Pensa bem. Ele quer ficar comigo e o máximo de esforço que está disposto a fazer é dirigir até a minha casa. Eu que cozinhe e o mime muito por ter uma chance tão incrível como essa.
Deveria ter aceitado sem pestanejar. Afinal, não é sempre que um cara me propõe algo tão inacreditavelmente bom.
Mas, sei lá. Ando chata. Seletiva. Coisa de feminista. Sabe como é.
Daí ele parte pra outra estratégia: a coação.
Ele diz que conhece bem meu tipinho (começou bem). Essas mulheres que adoram bater papo e conhecer o cara antes da coisa rolar. Já saiu com algumas assim (viu, meninas? Somos uma espécie em extinção).
E acha tudo isso muito ridículo. Patético até.
Para ele, toda pessoa sabe, imediatamente, ao colocar os olhos no outro, se a coisa rola ou não. Não há nenhuma possibilidade de a conquista, o tempo ou a convivência despertarem seu interesse. Fora de cogitação.
Ou seja, qualquer lenga-lenga ou adiamento é frescura. E merece troco.
“Sabe o que faço com mulheres frescas como você? Levo para jantar nos melhores restaurantes. Duas, três vezes. Até você se sentir à vontade e deixar a coisa rolar. Então, te levo pra cama e nunca mais apareço.”
Jura?
O bom é que o cara se revela todo, rapidinho. Você nem precisa cavar informação para saber se ele presta ou não.
E ele ainda achou que, ao me contar essa deliciosa história de amor, eu ia entrar em pânico e, como não, abrir as pernas.
Ai, os homens... Sempre nos surpreendendo (ainda que negativamente).
domingo, 29 de dezembro de 2013
Por um 2014 menos matemático
Eu sempre fui racional.
Quer dizer, sou só coração (neste momento, você deve estar pensando o quão louca eu sou, já que acabei de negar palavra por palavra a primeira frase).
Mas é verdade. Sou muito emotiva.
Choro demais, me emociono com as coisas mais banais, me entrego de primeira...
É meu jeitão, desde criança.
Mas, em meio a tudo isso, sempre tive uma pitada de racionalidade.
Eu me entrego, me jogo, mas, quando vejo que tem alguma coisa errada, desconfio e ponho a racionalidade pra funcionar.
Serve pra colocar o pé no freio quando a coisa não cheira bem.
De resto, emoção pura.
Com o tempo, isso foi mudando.
Acho que as pancadas da vida acionaram meu lado racional - e ele começou a ficar muito mais alerta.
Cheguei até, há poucos anos, a viver uma experiência em que o amor nasceu com o tempo, com o carinho, com a admiração - e não fruto de uma paixão.
É estranho. Fazer o caminho inverso, digo.
Mas é bom.
É bom saber que nem sempre a coisa segue aquele caminho tradicional. Da paixão ao amor (e também aumenta as chances de conhecer alguém).
Mas é ruim.
É ruim porque não consigo imaginar coisa melhor do que aquelas borboletas no estômago, revirando tudo, de um lado pro outro, até você ficar sem força, sem sentido, tonta de desejo.
Por isso, decidi que é isso que eu quero pra 2014.
Tudo bem que a racionalidade é importante. Ninguém quer se machucar à toa.
Muito menos eu. Aos 33 anos.
Mas já chega de pôr o pé no freio.
Quero me jogar.
Quero me apaixonar. Lou-ca-men-te.
Pensar o dia todo no outro.
Sonhar com o encontro - e o reencontro.
Sentir as borboletas revirarem o estômago de prazer.
Ficar nervosa com a proximidade do beijo. Do primeiro, do segundo, do milésimo...
Quero beijos longos, molhados, em público.
Aqueles beijos adolescentes, profundos, intensos. Tão intensos que você suspira entre uma investida e outra.
Quero mãos dadas. Desejo à flor da pele.
Olhos brilhando e um sorriso que não sai do canto da boca.
Dormir de conchinha e acordar entrelaçada.
Se amar tanto ao ponto de perder a vontade de tomar café.
Mas, se vier a hora de tomar o café, tomar agarradinhos, toda hora se tocando, se pegando, se olhando - contando os minutos para o café acabar.
Quero acordar e dormir nas nuvens.
Quero flerte, arrepios, olhos marejados.
Sempre fui intensa. Com o tempo - e as dores da vida, fui mudando.
Mas não quero mais. Não quero ser madura - não nesse caso.
Quero ser menina, malandra, moleca.
Quero tudo. Ontem, hoje e amanhã.
Por isso, meu pedido na virada do dia 31 é por um ano menos matemático e mais passional.
sábado, 9 de novembro de 2013
Por mais respeito
Ele passou a noite toda conversando com ela.
Só com ela.
Demonstrou interesse logo assim que a viu. E manteve os olhos grudados nela a noite toda.
Mas não ficaram. Não trocaram telefone.
Uma semana depois se encontraram novamente.
E, mais uma vez, passaram a noite colados.
Até que veio o beijo. O grude. O amasso.
E a natural troca de telefones.
Ela ficou feliz. Gostou dele (e é bem verdade que também ajudou a tirar a cabeça do ex).
Além da troca de telefones, eles combinaram de sair juntos durante a semana.
No dia seguinte, sem notícias, ela decidiu tomar a iniciativa.
Mandou mensagem para saber onde ele estava.
Quem sabe não podiam tomar um drinque?
Nenhuma resposta veio.
Tudo bem. Ele pode estar ocupado. Estar com a filha.
E os dias foram passando. E nada de notícias.
Mal sabia ela que aquilo era um prenúncio de quem ele verdadeiramente era.
Até que veio a confirmação do jantar.
Oba! Agora vai!
Então tá.
Veio o momento de pensar na roupa. No cabelo. Na maquiagem.
Veio o momento de sonhar. Suspirar fundo. Rir sozinha em frente ao espelho. E fazer aquela dancinha destrambelhada que toda mulher feliz conhece de cor.
No dia do jantar, o coração dela estava inquieto. Borboletas teimavam em dançar salsa em seu estômago.
E a noite veio.
E lá se foi ela. Linda. Feliz. Otimista.
Pegou mesa. Se ajeitou na cadeira. Conferiu o hálito.
Dez minutos depois, olhou o celular.
Ainda nada dele.
Até que ela sacou.
Ele não compareceria.
Apesar da confirmação no meio da semana, ele furou.
Furou sem mandar mensagem pedindo desculpa pela desistência.
Furou e deixou o telefone desligado.
Assim. Desse jeito.
Por favor, alguém me diz que mundo é esse? Que jeito é esse de (des)tratar as pessoas? Como alguém pode ser tão cruel, malvado e desrespeitoso? Como alguém simplesmente destrói a esperança, os sonhos e o amor próprio de alguém?
E depois esse tipo de homem não entende porque as mulheres andam tão feridas, fechadas, traumatizadas.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Armadilhas da vida
Encontrar um cara legal é difícil.
Às vezes, encontrar qualquer cara (mesmo os não legais) é difícil.
O Noé sabe do que eu estou falando.
Ele enfrentou a mesma dificuldade para encontrar uma menina legal.
Né, Noé?
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Por cantadas de respeito
Cantada é legal e pode até render boas risadas.
Pode ser um jeito de quebrar o gelo e começar o papo.
O melhor é que seja uma cantada boa, mas mesmo aquela mais ou menos é capaz de dar uma mãozinha.
Eu sei. Nós mulheres andamos muito compreensíveis.
Por isso, um conselho. Não mande uma cantada a não ser que tenha certeza absoluta de que ela não é ultrajante.
Veja bem. Nem estou sugerindo que a cantada seja boa.
Mas, por favor, livrem-nos de qualquer frase feita maldita.
Pior do que cantada ruim é ouvir a mesma cantada ruim três vezes. Do mesmo cara. Que não se lembra que já usou a mesma cantada ruim repetidas vezes com VOCÊ nos últimos seis meses.
Sim. Fui premiada pela loteria das cantadas lixo.
Para piorar, o cara sequer se lembra de ter me cantado antes (o que me preocupa. Muito. Primeiro, porque é a segunda vez que um cara não se lembra de já ter dado em cima de mim. Segundo, porque não que eu queira ser uma mulher inesquecível, mas também não quero cair na vala de "nada memorável").
Enfim.
Lá vem ele falar comigo.
Parece uma metralhadora com defeito.
"Nossa, que cor de cabelo é essa? Aposto que foi escolhida a dedo por Deus! E essa pele alva? Por acaso você é nórdica? E esses dentes brancos? Como podem ser tão brancos? Seu pai por acaso é dentista? Caramba, seu sorriso merece um prêmio! Você é deslumbrante! Estou sem ar! Qual é mesmo seu signo? Uau! Estou apaixonado! Eu sou jornalista frustrado, formado em Direito, escritor de três livros e poeta. Toco violão muito bem, posso te fazer um luau e vou te fazer feliz como ninguém nunca fez."
Caralérrimo!
E isso é só o que lembro.
Foram cinco minutos de bombardeio. Eu não articulei uma palavra. Fiquei só olhando com cara de pânico para a figura, que, ainda por cima, me mantinha em "cativeiro", me segurando com força pelo braço.
Impressionante a sequência de elogios. Impressionante o excesso de elogios artificiais. Impressionante a confiança intocada.
Assim que deu, corri.
Na segunda vez, a mesma coisa. Acho que a língua dele funciona na velocidade cinco do créu. Só pode.
Fugi tão rápido quanto pude.
Da última vez, não acreditei ao vê-lo se aproximar.
Sério. Só pode ser perseguição.
O que mais esse demônio da Tasmânia tem para me dizer?
E rapidamente me arrependi de ter feito mentalmente essa pergunta.
Além do discurso básico, decorado, e da memória de alface, ele soltou: "Você é caverna do dragão, deusa grega, musa do RPG".
Cuma????????
Deusa grega tudo bem. Forçado, mas é um elogio.
Agora, o que ele quis dizer com "caverna do dragão"????
Putis qui parilis!
E musa do RPG? Gente, algum viciado no jogo peloamordeDeus me explica o que poderia ser isso?
A cantada dele é tão cansativa que me esgota em questão de segundos.
E essa última foi, definitivamente, a pior de todas.
Sofri como nunca. Corri como sempre.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Agradeça por ele não ligar
O mundo realmente não é mais o mesmo. E por mais que eu tenha visto muita coisa chocante, de cair o queixo, ainda assim ele não para de me surpreender.
Dia desses a Tati me deu (mais) uma notícia difícil de engolir.
Ela ouviu de dois amigos que a mulher deveria comemorar quando o cara não liga. Quê?
Achei que não tivesse ouvido direito. Mas a Tati fez questão de repetir. Para agravar minha depressão.
Segundo eles, deveríamos comemorar quando o cara não liga porque isso significa que você é uma mulher incrível. Tão incrível que ele morre de medo de ligar. Vai que ele faz (fala) besteira? Vai que não corresponde à expectativa?
O telefone que vai tocar é, por exemplo, o da mulher baixo astral, amoral e sem outros atrativos que não o físico. Porque, com esse tipo de mulher, eles sabem lidar. Mas se você é boa gente, bem sucedida, inteligente, adeus. Quem mandou caprichar tanto?
Essa notícia me acertou em cheio. Bem no coração, que deu duas estremecidas antes de se reerguer e voltar a bater no ritmo normal (por pura questão de sobrevivência).
Se isso for mesmo verdade, estou perdida.
E mesmo que nem todo homem seja assim, dói saber que a “regra” vale para alguns (muitos?). Isso já é, em parte, uma derrota.
Uma derrota para as mulheres que são verdadeiras heroínas e dão conta do trabalho, da casa, dos amigos e da academia, diariamente, sem perder a ternura.
Uma derrota para vocês, homens, que preferem ser felizes pela metade com medo de sonhar alto. Que se recusam a crescer, se reinventar e a apostar em que tem valor de verdade.
Uma derrota para o mundo, porque haverá menos amor verdadeiro e mais amor de fachada.
Por isso, fica o meu apelo. Se aí dentro ainda bate um coração, pense bem. Liga pra ela. Você só tem a ganhar.

