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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tolinho

Nossos olhares se encontraram em meio a uma multidão feliz e embriagada.

Poucos segundos depois, eu já sentia a respiração quente dele no meu cangote.

Nem preciso dizer o que veio a seguir.

Mas a tentativa de beijo falhou.

Esquivei-me (dessa grande e imperdível oportunidade).

Foi a primeira vez que ele tentou me beijar.

Mas não foi a primeira vez em que se “interessou” por mim.

Ele riu.

“Você sabia que eu fui obcecado por você? Nossa. Como fui. Durante uma semana, tudo o que fiz foi pensar em você, dia e noite. Aliás, qual é mesmo o seu nome?”

Aqui, uma pausa para reflexão.

Sério? O cara quer beijar a garota e a primeira coisa que ele diz, em meio à vastidão infinita de possibilidades, é que o interesse dele por você durou uma (pífia) semana e que ele nem se lembra do seu nome. Quão especial.

(Continuando...)

Você ri, por delicadeza. Diz seu nome.

Ele te elogia. “Nossa, você está linda! Ainda mais linda.” Admite que é possível (não vá ficar toda animadinha. Não há garantias) que role uma nova obsessão, como a daquela semana hoje distante.

Tudo para conseguir um beijo.

Mas o beijo não vem.

Ao todo, são cinco minutos de insistência.

Cansado do “esforço” hercúleo para me conquistar, ele vaza.

Beijo, tchau.

Dias depois, vem o pedido de amizade no Facebook.

Já amigos, a janela de bate-papo começa a piscar.

O papo segue o mesmo rumo do dia em que nos encontramos.

Agora, a cantada não é sobre sua mais nova (antiga) obsessão.

É diferente.

Ele parte com tudo pra cima.

E solta o que acredita ser uma proposta irresistível.

“Que tal nós dois na sua casa? Você cozinha. Eu tomo uma cerveja gelada, enquanto vejo jogo. A gente janta. E faz amor.”

Não, obrigada.

Pensa bem. Ele quer ficar comigo e o máximo de esforço que está disposto a fazer é dirigir até a minha casa. Eu que cozinhe e o mime muito por ter uma chance tão incrível como essa.

Deveria ter aceitado sem pestanejar. Afinal, não é sempre que um cara me propõe algo tão inacreditavelmente bom.

Mas, sei lá. Ando chata. Seletiva. Coisa de feminista. Sabe como é.

Daí ele parte pra outra estratégia: a coação.

Ele diz que conhece bem meu tipinho (começou bem). Essas mulheres que adoram bater papo e conhecer o cara antes da coisa rolar. Já saiu com algumas assim (viu, meninas? Somos uma espécie em extinção).

E acha tudo isso muito ridículo. Patético até.

Para ele, toda pessoa sabe, imediatamente, ao colocar os olhos no outro, se a coisa rola ou não. Não há nenhuma possibilidade de a conquista, o tempo ou a convivência despertarem seu interesse. Fora de cogitação.

Ou seja, qualquer lenga-lenga ou adiamento é frescura. E merece troco.

“Sabe o que faço com mulheres frescas como você? Levo para jantar nos melhores restaurantes. Duas, três vezes. Até você se sentir à vontade e deixar a coisa rolar. Então, te levo pra cama e nunca mais apareço.”

Jura?

O bom é que o cara se revela todo, rapidinho. Você nem precisa cavar informação para saber se ele presta ou não.

E ele ainda achou que, ao me contar essa deliciosa história de amor, eu ia entrar em pânico e, como não, abrir as pernas.

Ai, os homens... Sempre nos surpreendendo (ainda que negativamente).

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