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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quebre suas próprias regras

É bom ter regras, criar certa disciplina na vida, ter certo direcionamento. Saber o que se quer, como se quer, quanto se quer. É bom lutar por uma meta, um ideal, um objetivo. É bom ser firme, defender seus pontos de vista. É bom conhecer o caminho que se quer trilhar e seguir em frente, com ânimo, ímpeto. Mas é verdade que também é uma delícia se permitir uma folga.

Sabe quando você faz uma coisa que ninguém esperaria e ainda assim sente-se bem, apesar de qualquer crítica? Pois é. É disso que estou falando. Talvez você nem seja criticada pelos outros, mas por aquela pessoa que mais teme: você mesma. Quantas vezes nos punimos por agir de uma forma “diferente”? Quantas vezes nos rebaixamos por nos permitir algo novo ou “proibido”? Quantas vezes nos sentimos culpadas e somos duras com a gente mesma? E a verdade é que não deveria ser assim. Afinal, quebrar as regras pode ser mesmo muito bom.

Por exemplo, no meu caso, ficar com alguém por ficar, só para dar um up na autoestima.

Sempre fui muito radical com esse negócio de ficar. Sempre tive pra mim que ficar por ficar é bobeira. A ficada, para mim, tem que ser uma coisa pensada, organizada, com fins claros. Ficar só mesmo com alguém por quem se tem um interesse genuíno ou com quem possa rolar um algo mais (ou seja, namoro), ainda que o cara não tivesse qualquer pretensão de algo mais sério (quero deixar claro que essa regra vale única e exclusivamente para mim. Jamais condenei uma amiga ou alguém por pensar diferente. Até porque eu ficaria quase sem amigas! Rs!).

Enfim. Carreguei essa regra comigo desde que os garotos começaram a se tornar uma realidade em minha vida. E, na maior parte das vezes, fui fiel à regra. Mas tive muito orgulho de quebrá-la.

Uma dessas vezes em que quebrei a regra e saí feliz da vida foi quando fiquei com um megagato. Rs! Eu sei que parece uma idiotice, mas, naquela noite, eu precisava de um boom na autoestima. Com tanta gente linda circulando, jamais achei que fosse sobrar um gato pra mim. E sobrou. E foi lindo! Eu me senti uma mulher poderosa, bonita, capaz, bacana, divertida... Tudo isso porque ele me abordou.

Engraçado como uma coisa tão boba pode afetar tanto o nosso psicológico, positivamente! Eu já sabia que aquela seria apenas uma ficada, sem pedido de telefone ou segundo round, mas, nossa, como me trouxe bons frutos!

Nessa noite, eu mudei. Mudei a forma como vinha me encarando nos últimos meses, coloquei uma tristeza chatinha de lado e me senti confiante. Confiante na vida, no futuro e até nos homens (veja só o que uns bons beijinhos podem fazer pela gente).

Não vou mentir. Tive que lutar contra o meu lado racional e minha regra eterna. Afinal, qual o motivo para aqueles beijos sem futuro? Aquilo me levaria aonde quero chegar? Não, não levaria. Mas, sem querer, eles trouxeram de volta a leveza de que precisava para continuar firme em meu caminho.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O equilíbrio

O último texto, Orgulho de ser mulher?, rendeu um comentário lindo da amiga Lyana! Ela me mandou por e-mail, mas resolvi compartilhar com vocês. Aproveitem!

Por Lyana Azevedo

“Essa é pra casar.” Quem não conhece essa frase? Nossas avós um dia foram “rotuladas” assim. Porque sabiam bem como se portar, como ser esposa e mãe, sem deixar de ser mulher. Aquela mulher que cozinhava, bordava e cuidava da casa como ninguém, mas que nem sempre tinha estudo, não podia trabalhar e nem votar. Sexo era assunto proibido e exercício com fins de reprodução. Sexo com prazer era exclusividade masculina.

Depois, as mulheres exigiram direitos: queriam votar, trabalhar, usar calça e cabelo curto. Queimaram sutiãs. E, pelas minhas contas, foi essa a curva errada da história. Porque junto com os direitos adquiridos, vieram os deveres. E, junto com os dois, o erro da conta: enquanto a intenção era valorizar a mulher como cidadã e profissional, o tiro saiu pela culatra e a mulher acabou se desvalorizando. Os homens até se opuseram no início, mas depois perceberam que não havia mal nenhum em ter mais um salário – desde que menor que o deles –, dividindo as contas, se eles não precisassem dividir a louça, a limpeza, a roupa suja ou o fogão. Perfeição, não?

E veio a nova revolução feminina: mulheres cidadãs e profissionais quiseram que seus maridos, namorados e irmãos dividissem com elas as tarefas domésticas. Foi onde muitos homens tomaram gosto pela cozinha, que passou a se chamar gastronomia, ou pela costura, que passou a estilismo. Até as máquinas de lavar acrescentaram a função secar para agradarem aos homens.

Hoje, as mulheres da nova geração são cidadãs, profissionais, eleitoras, formadoras de opinião, líderes. Têm em casa maridos que fazem compras do mês, namorados que cozinham melhor que elas, irmãos que entendem mais de moda. E isso inclui a geração de 30 e tantos, que começou isso sem perceber. O que mais faltava às mulheres revolucionar?

Mais uma vez na história a mulher inicia uma revolução: a revolução do corpo. De corpos expostos, malhados ou não, novos ou não, adornados com piercings até onde não se imagina um, esticados, lipados e preenchidos. Do lema “o corpo é meu e eu decido o que faço com ele”. O problema é que o tiro novamente saiu pela culatra. O culto ao corpo foi desvirtuado de geração saúde para geração seminua. A liberdade de expressão por meio da arte no corpo passou a arma de sedução quase sado-maso. E “o que fazer do corpo”, que expressava a opção do aborto, do direito a ter prazer e dar prazer quando achasse por bem, passou à condição de utensílio sexual descartável. Tem homem que, dependendo do meio onde vive, pode até usar a mesma camisinha duas vezes, mas não usa a mesma mulher.

E é claro que existem sobreviventes. Confesso que passei pelo processo: bebi demais, vesti roupa de menos, fiz muito mais que devia com gente que nem sabia o nome. Mas estou aqui, sóbria. Outras colegas de gênero talvez não tenham passado por isso, provavelmente crias de uma sobrevivente do período anterior. As piores são, sem dúvida, as que apelam à desvalorização para se satisfazer de certa forma, num processo parecido com “no pain, no gain”, onde dor é se vestir de adolescente, se comportar como cachorra – e chorar como criança no dia seguinte. E ganho é só se sentir emocionalmente saciada depois de umas mãos na bunda, uns amassos do canto da boate e, se der sorte, um sexo medíocre – mas só se ela se dispuser a pagar o motel.

Existe esperança? Hei de confessar que meus maiores prazeres hoje são caminhar “sem pressão e por saúde” e cozinhar pro meu namorado. Não deixo de estudar, de ser profissional reconhecida, de criticar e revolucionar. É um equilíbrio. Cada uma de nós há de achar o seu.

Muitos processos de ajuste se dão com a evolução e o exagero misturados, onde é preciso aparar arestas, avaliar e deletar, reestruturar o desestruturado. Espero que a próxima geração – e quem sabe as nossas filhas não estejam nessa – seja finalmente a que valoriza, de forma saudável e equilibrada, o que é ser mulher de verdade, mesmo que longe de perfeita.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Orgulho de ser mulher?

Já tive muito, muito orgulho de ser mulher. Nossa doçura, nossa delicadeza, nosso jeito de querer fazer do mundo um lugar melhor, nosso coração de mãe, nosso amor sem limites, nossa infindável fé nos homens, no futuro... Coisa de Deus, com certeza.

Hoje, infelizmente, já não posso dizer o mesmo. Meu orgulho está arranhado. Confesso que, com frequência, sinto-me envergonhada por ser garota. Esse sentimento de decepção ficou pior nos últimos dias. Uma simples festa me deixou traumatizada.

Ao chegar ao local da festa “junina”, meu queixo caiu. A começar pela vestimenta das mulheres. Em uma noite fria, imagina-se encontrar pessoas vestidas apropriadamente. Mas por lá tudo estava às avessas: vestidos não apenas justos, mas torados, não apenas curtos, mas minis (deixando entrever celulites, calcinhas e designs interiores), não apenas decotados, mas ínfimos, irrelevantes, suficientes para cobrir bicos...

Por que será que as coisas mudaram? Por que será que o importante hoje é se expor, se mostrar, como carne em açougue? Acho deprimente, degradante. Cadê a decência? Cadê o mistério, tão relevante para despertar o interesse? Cadê o respeito pelo próprio corpo? É o fim dos mundos sair de casa praticamente nua para conseguir chamar a atenção de quem quer que seja...

Será que essas mulheres já pararam para pensar no tipo de mensagem que passam? Baratas, fáceis, vulgares, para dizer o mínimo. Características que eram associadas às mulheres da vida, mas que hoje viraram lugar comum... Que pessoa admira alguém que se veste de forma tão degradante, tão exposta? Claro, os homens parecem adorar o novo estilo feminino, afinal, com isso, eles podem conseguir tudo o que sonham sem precisar se esforçar, sem precisar gastar lábia, sem precisar pagar...

Mas a coisa não para por aí. O problema não está só nas roupas. As atitudes também estão denegridas. As mulheres de hoje bebem demais, beijam qualquer um, transam rápido demais e acham que pegar uma pessoa por noite, imitando os homens, significa direitos iguais. Se pelo menos as mulheres imitassem os homens decentes, os homens educados... Não, foram logo copiar os depravados, canalhas, desrespeitosos... Para quê? Tudo bem. Queremos ter o direito de escolher com quem casar, queremos poder separar quando o casamento vai de mal a pior... Mas o que vemos hoje vai muito além disso.

O pior é que fica parecendo que todas são assim... Eu não sou mais respeitada pelos caras da balada porque centenas de piriguetes deixaram bem claro que não querem, nem precisam, ser respeitadas. Elas querem ser tratadas como iguais, querem só uma chance de mostrar que são tão "ousadas" quanto eles...

Outra coisa que me chocou foi a quantidade surpreendente de pessoas mais velhas nas baladas (curioso como o número de homens mais velhos é infinitamente menor). Nada contra o direito dessas mulheres de saírem de casa, dançarem, se divertirem, mas como é feio vê-las seminuas, avançando nos caras, quando, no fundo, deveriam ensinar bons modos às novas gerações.

Sinto MUITA falta da época em que os homens se aproximavam para conversar... Quando se aproximavam porque havia um desejo genuíno de conhecer você e não qualquer uma... De como gastavam uma balada inteira só conversando, trocando ideias, para então conseguir seu número de telefone e continuar a conquistá-la. Como se esforçavam para levar a mulher para jantar, como pagavam a conta, como abriam a porta do carro... E isso não faz tanto tempo assim. Uma década no máximo.

Hoje, o cara já chega agarrando você pela cintura, chamando de gostosa, tentando roubar um beijo após meio minuto de conversa e caso não consiga o que quer dá chilique, sai falando palavrão e ainda investe na sua melhor amiga, sem o menor peso na consciência (pior é quando a amiga fica com o cara...). E isso quando não inventa que tem que ir ao banheiro e aí some. Ridículo. E por que será que esse comportamento leviano, desrespeitoso veio para ficar? Depois de muito pensar, vi que a culpa está no sexo feminino.

Somos nós que freamos esses impulsos pegajosos, somos nós que ditamos o tempo e o ritmo dos homens, das paqueras, somos nós que permitimos ou não certos comportamentos, certas atitudes. Mas se resolvemos adotar uma postura moderninha e mostrar que topamos qualquer esquema, nada mais segura os homens...

Espero, honestamente, não ter que enfrentar outra situação como essa, de ver a degradação feminina; espero nunca ser confundida com os membros desse mundinho superficial; espero não me contaminar. Torço para que haja por aí não apenas mulheres que pensam como eu, mas também homens que valorizam as mulheres de antigamente, tradicionais, que não apoiam essa postura.

Nada contra uma mulher trabalhar. Nada contra ter mais direitos. Nada contra poder se aproximar de um homem e puxar um papo, sem ter que esperar que ele se aproxime. Mas tudo contra se perder na vida e se comportar como um ser barato, sem valor e descartável.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Addicted to love

Queria entender qual o nosso lance com o amor. Por que será que precisamos tanto de amor para viver? Por que ficamos tão fragilizadas quando não há amor por perto? Por que adoramos dizer ‘eu te amo’? Por que nos sujeitamos a tantos namoros loucos, solitários ou baixo astral só para ganhar um pouquinho de amor vez ou outra? Alguém deve ter uma boa explicação para tamanha dependência feminina...

Os homens não são nada como nós. Não que desprezem o amor. Mas é aquela coisa. Se ele acontecer, o momento for adequado e houver espaço na agenda, o amor até é bem-vindo. Já com a gente...

Parece que nascemos ocas, faltando um pedaço. Já saímos da barriga de nossas mães conscientes de que não estamos completas e de que necessitamos de alguma coisa ou alguém para nos sentirmos plenas – e poder viver feliz, em paz.

Sem amor, parece que não há nada. Sem amor, o sol não brilha, a noite é fria e a luz das estrelas é opaca. Sem amor, não há riso puro, não há troca verdadeira, não há felicidade espontânea. Sei lá, parece que as coisas perdem a graça e a gente passa apenas a empurrar a vida com a barriga, em vez de vivê-la em sua plenitude.

É por isso que sempre busco o amor onde estou, aonde vou, nas pessoas que convivem comigo. Submeto-me às videntes mais cascateiras só para ouvir que há muito amor no meu futuro, que o amor vai abrir muitas portas ou que o novo amor trará ‘ganhos’ (seja lá o que for que isso significa). E não importa o gabarito da vidente: se falar de amor, ela me dobra, me ganha.

Às vezes penso em como seria prático ser homem. Não namorar aquela mulher maravilhosa, por quem se está perdidamente apaixonado, só porque aquele não é o melhor momento (um dia ainda gostaria de entender esse negócio de ‘melhor momento’); não ligar para aquela menina bacana da balada porque pegar todas é muito mais simples e diversificado; não dizer ‘eu te amo’ e entrar de cabeça porque, enfim, vai que um dia a coisa termina – e aí é melhor se poupar de qualquer sofrimento.

Mas sempre que essa ideia louca aparece, eu faço questão de arremessá-la longe. Mesmo com todo o sofrimento, mesmo com toda a dor, mesmo com todas as decepções, amar ainda é a melhor coisa da vida. Não imagino minha vida sem amor. Não imagino meus dias sem esse brilho. Não imagino um futuro sem toneladas e toneladas transbordantes de amor, abalando constantemente (e para melhor) meu jeito, minhas teses, meus argumentos. Afinal, amar é ver o mundo com o melhor dos filtros.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados: ame-o ou deixe-o

Todo o ano, ele está aí. Para o bem ou para o mal. E dependendo de que grupo você faz parte, as reações são diametralmente opostas.

Quem está amando conta os dias para o 12 de junho chegar logo. Semanas antes, há quem já comece a pensar em todo o esquema: que presente comprar, o que escrever no cartão mais do que überespecial, onde jantar... As mais animadas compram lingerie nova – vai que a peça ajuda seu boy a redescobrir seu corpo e, por conseguinte, redescobrir o amor e assim dar aquele gás extra para bombar o relacionamento e engatar de vez forever para todo o sempre?

Tem também as mais práticas, que se preocupam mesmo em reservar com antecedência o quarto para a noite de São Valentim. Afinal, quem vacila enfrenta filas quilométricas de espera – e manter a libido a ponto de bala por horas a fio não é mole.

As mais românticas sonham que a data marque um momento ainda mais especial. Ou seja, o noivado. Aliás, isso não se restringe às mais românticas apenas, mas a todas nós. Deve ser por isso que caprichamos tanto nas comemorações do Dia dos Namorados. No fundo, queremos que nosso namorado se toque do quanto nos ama e que peça logo nossa mão em casamento para podermos ser felizes como nos contos de fada (damn it)!

Já quem não está amando outra pessoa, mas apenas se amando, passa por poucas e boas no dia 12. Primeiro, ao ter que aguentar o clima meloso, as lojas anunciando promoções para quem está enganchado, os corações batendo acelerados, as pessoas suspirando, os anjos soltando suas flechas, os sinos tocando... Fora as matérias na TV, as campanhas publicitárias e os filmes mela-cueca...

Como se não bastasse, as solteiras viram alvo da "piedade" alheia. Não há UMAZINHA que escape dos comentários maldosos. O mais odioso, a meu ver, é: “Você precisa parar de pensar no assunto ‘namorado’, querida. Só assim, quando você desligar, é que o homem da sua vida aparece! Entendeu? Tolinha...” Claro, porque essa teoria foi testada e comprovada por... quem mesmo? Queria saber quem inventou essa baboseira de que o amor só vem quando você para de pensar nele. E esse é só um dos comentários sem noção...

Tem ainda quem vire alvo de mães e amigas. De repente, começam a surgir nomes e nomes de caras bacanas, interessantérrimos, lindos, fofos, partidos nota mil que, por acaso, estão solteiros e que, também por acaso, parecem ser o seu número (Claro. Ninguém descobriu que eles estavam solteiros antes. Só há poucos dias do fatídico dia).

O empenho das mães para desencalhar as filhas é até compreensível, afinal é a reputação delas que está na reta. Estranho mesmo é o esforço hercúleo das amigas. Como acreditar que o tal amigo dela é assim tão sensacional? Se ele fosse mesmo, a tal amiga já o teria agarrado para si (quem é mulher entende do que estou falando)!

A data só é mais punk para as solteiras convictas, que aí sim viram alvo da caça às bruxas...

terça-feira, 29 de maio de 2012

A arte de pedir desculpas

Meu sonho era ter nascido meiga e light. Sabe aquelas pessoas que nunca perdem a paciência com ninguém/nada e são tão doces que você é incapaz de perceber quando estão bravas/desapontadas com alguém/alguma coisa? Pois é, queria ter nascido desse jeitinho.

Já passei centenas de dias imaginando as maravilhas de ser assim. Não brigar, não discutir, não me estressar, não perder um dia inflada de raiva... E mais: conseguir me poupar e não deixar que nada me afete. Sonho!

Só que além de ter nascido em uma família explosiva e estressada, ainda por cima sou ariana: impulsiva e brava por natureza (a cereja do bolo, eu sei)!

E aí que não apenas me irrito com as pessoas lerdas ou imprudentes no trânsito, com os seres que falam mal da gente pelas costas e com quem demora dez minutos pra dar o lead de uma história (ou seja, ir direto ao ponto!), como também sofro por me irritar com coisas tão pequenas e me acho idiota por sofrer tantas vezes de graça.

Por isso, precisei colocar em prática o Plano B. Sei que não é a mesma coisa que não se irritar e se poupar, mas já é alguma coisa. Se não sou capaz de controlar o gênio, preciso ser maravilhosa em pedir desculpas. E vi que isso eu sei fazer bem.

Como não sou orgulhosa, não é problema pedir desculpas (o buraco é mais embaixo: o problema é admitir que eu erro! Haha!). Brincadeiras à parte, sinto que encontrei um jeito de me livrar das saias-justas que minha impulsividade causa. Eu falo demais, mas pelo menos tenho coragem de me desculpar. Pode não ser a mesma coisa, mas ninguém é perfeito e foi essa a fórmula que descobri para “resolver” essa limitação.

Mas devo confessar que, apesar dessa mudança, sinto que, às vezes, a impulsividade é uma dádiva divina! Em tantos momentos ela é tão fundamental! Para se declarar a alguém, para ter coragem de dizer alguma coisa que ninguém se habilita a dizer, para entrar com tudo em um relacionamento, para arriscar e topar aquele emprego novo...

E quanto a ter boca grande e falar demais, preciso citar Clarice Linspector, que, com poucas palavras, é muito mais certeira do que eu. A frase dela vale muito no que diz respeito ao amor e às coisas do coração. Sabe quando você fala o que realmente sente e pensa e muitos a condenam por ter sido direta demais, por ter dito coisas que nunca devem ser ditas (por exemplo, te amo. Por exemplo, quero casar e ter filhos)?

Então, dá-lhe Clarice. “Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar, eu me perderei, e por me perder eu te perderia”.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Eu quero ser a Amélie Poulain

Foi amor à primeira vista. Identificação à primeira vista. Fascinação à primeira vista. O filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” me apresentou um mundo novo, lindo e mágico (sei que ele é velho, mas mesmo assim mexe comigo e rende crônica! Oras! Rs). Como não adorar uma moça que ajuda o destino a cumprir seu papel de fazer o mundo feliz?

O melhor é que ela opera em segredo e assim fica parecendo que foi mesmo Deus quem ouviu aquelas preces mais íntimas. Amélie ainda se diverte ao observar a reação de cada uma das pessoas com as “surpresas” organizadas por ela.

Além desse lado anjo da guarda, adoro como Amélie é feliz. Adoro as pequenas coisas que trazem prazer a ela, coisas que para muitos de nós parecem banais, pequenas, como, por exemplo, enfiar os dedos em um saco de grãos – e senti-los comprimir o indicador, escorregar pela mão, afundar com a pressão inesperada...

Talvez é por isso que me sinto tão bem ao assistir à Amélie. Ela me faz lembrar que a beleza da vida está nas pequenas coisas, nos pequenos gestos; que é preciso muito pouco para levar uma existência mais doce e amena; mas, principalmente, fica claro pelo filme que a diferença entre ser ou não feliz está em nossas mãos, depende apenas de nós.

E não há nada mais gratificante do que isso.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O casamento é para todos

Por João Pereira Coutinho

Tenho pensado ultimamente nas vantagens da poligamia. O amor exige fidelidade e exclusividade?

Admito que sim. E também admito que existe uma certa nobreza na velha ideia platônica de que somos seres incompletos, em busca da outra metade que nos falta. Os românticos não inventaram nada. Limitaram-se a ler "O Banquete".

Mas, por outro lado, não é justo, nem fácil, nem humanamente possível exigir de uma mulher que ela seja tudo e o seu contrário. Boa amante. Ótima confidente. Excelente dona de casa. Mãe aprumada. Parceira intelectual distinta. Enfermeira nas horas funestas.

A mulher perfeita não existe. Ou, melhor dizendo, ela existe, sim. Só que é composta por várias mulheres distintas.

Anos atrás, em viagem pelo Marrocos, visitei um amigo que me levou a conhecer as suas duas famílias: uma em Casablanca, a outra em Agadir.

A primeira mulher era a encarnação perfeita da sensualidade magrebina – olhos negros, cabelo idem, lábios generosos e carnudos. Cinco minutos bastaram para perceber a função daquela senhora na vida daquele homem feliz.

A segunda mulher era menos exuberante (digamos assim); mas fazia um cuscuz como só voltei a provar em viagem recente ao Nordeste do Brasil. Tão diferentes, mas tão complementares.

Fiquei convencido sobre as vantagens do arranjo. E antes que a leitora me acuse de machismo obscurantista, esclareço já: quem fala em poligamia fala em poliandria.

Nenhum homem pode ser tudo para uma só mulher. Por isso esperava um pouco mais das declarações de Barack Obama sobre o casamento gay – mais do que apenas "hélas" sobre o casamento gay.

O presidente americano, em gesto inédito para ano eleitoral, disse na televisão que "evoluiu" sobre o assunto. É agora favorável à união matrimonial de lésbicas e homossexuais, embora deixe para os Estados a decisão final sobre o assunto.

O raciocínio de Obama é conhecido: quem somos nós, a maioria heterossexual e opressora, para negar a felicidade a duas pessoas do mesmo sexo que querem se casar?

Eis, em resumo, a essência do pensamento progressista. Um pensamento que os filósofos Sherif Girgis, Robert P. George e Ryan T. Anderson analisaram no melhor ensaio que conheço sobre o tema: "What is Marriage?".

O casamento, para o pensamento progressista, é uma mera construção social, sem uma história ou um propósito distintos. O casamento deve apenas basear-se no afeto; e basta que exista afeto entre dois seres humanos adultos para que o Estado reconheça o vínculo matrimonial, distribuindo direitos e deveres pelos cônjuges.

O problema, escrevem os autores do ensaio, é que essa definição sentimental de casamento não pode se limitar a lésbicas e homossexuais.

Se o casamento pode ser tudo o que quisermos, não há nenhum motivo para recusar o privilégio a um homem que queira se unir a várias mulheres. Ou a uma mulher que queira se unir a vários homens.

O próprio Obama deveria saber disso: só nos Estados Unidos, é possível que existam mais de 500 mil relações poligâmicas, informava há tempos a revista "Newsweek", citada no ensaio. O número de homossexuais que desejam casar-se é superior a esse número?

Talvez. Mas falamos de um princípio, não de uma questão numérica: se 500 mil relações poligâmicas vivem à margem da lei, não devemos também respeitar a felicidade – no fundo, o "afeto" dessa vasta legião de apaixonados?

Por mim, ficaria encantado. Até porque as relações poligâmicas não vivem apenas à margem da lei. Elas são punidas pela lei. Eu invejo o meu amigo marroquino. Mas, se pretendesse imitar o seu modo de vida, casando-me com duas donzelas da minha preferência, a Justiça não perdoaria o crime.

Moral da história? O mundo não acaba com os direitos dos homossexuais. E não é possível defender o casamento gay sem defender também todas as outras formas de união conjugal. Abrir uma exceção é abrir todas as exceções. Negar isso é perpetuar a intolerância.

Espero que o presidente Obama continue a "evoluir" sobre o assunto e nos brinde em breve com a defesa apaixonada que a poligamia merece.

domingo, 13 de maio de 2012

Mães

Oi, queridos! Desculpem-me pelo sumiço. Ando sem inspiração para escrever sobre relacionamentos!

A verdade é que, uma vez fora do mundo das baladas, faltam histórias para preencher estas páginas! Pelo menos, de forma original e divertida!

Hoje, peço licença para fugir um pouco ao tema principal.

Dia das Mães é sempre uma data muito especial. Dia de agradecer imensamente àquelas que nos colocaram neste mundo, que nos ensinaram a rir e a chorar e que nos mostraram um caminho melhor para encontrar a felicidade. Sou muito grata à minha mãe por tudo que ela sempre fez por mim - e continua fazendo. Não acho que poderia ter sido abençoada com uma mãe "melhor". Ela é perfeita para o que preciso! E foi ela quem me mandou este texto (deveria ter sido o contrário, eu sei! Mas ela é assim). Que possamos nos inspirar nestas palavras para sermos também o melhor para nossos filhos! Um beijo e bom domingo!

"Lá vai minha filha...

A menina que estreou a mãe em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emoções, medos, encantamentos e aprendizados.

Carne da minha carne, fruto do meu amor, sonho dos meus sonhos. Ela me expandia e eu a protegia. Ela me dava a mãe e eu todos os sumos. Ela me dava a eternidade e eu lhe dava asas.

Ela me alargava o coração coraçäo e eu lhe ensinava a caminhar sozinha. Ela me cobria de beijos e eu a cobria de bênçäos. Ela me pedia colo e eu lhe pedia sorrisos. Ela me traduzia e eu a decifrava. Ela me ensinava e eu lhe descortinava o mundo. Ela me apontava o novo e eu lhe ensinava liçöes aprendidas no passado.

Ela me falava de fadas e princesas e eu lhe falava de avós e gentes. Ela me emprestava seus olhos encantados e eu rezava por um mundo melhor. Ela me tirava o sono e eu cantava para ela dormir. Ela me alegrava a vida e eu vivia para ela.

Quando o filho nasce, começamos a nos despedir dele no mesmo instante. Nosso elo só é enquanto no ventre. Depois, somos seus abrigos, condutores, provedores, sem nunca esquecer que eles começam a ir embora no dia em que nascem. No começo, o tempo parece parar. A plenitude da maternidade e a dependência dos pequenos criam uma ilusäo de que será assim para sempre.

Mas näo, eles crescem inexoravelmente em direçäo à independência. Cumpre-se o ciclo da vida. Na hora que nasce o primeiro filho, a gente compreende a fragilidade da vida, a fugacidade das coisas e passa a ter medo de morrer. O fato dela precisar de mim me torna única e imprescindível. Eu não podia falhar. A partir dali, tudo mudou, meu espaço, meu papel, minha relaçäo com o mundo. Às vezes me pergunto se eu dei a ela tanto quanto recebi.

Sinceramente, acho que não. Desde o momento zero, ela transformou minha vida e, em um movimento contínuo, faz de mim uma pessoa melhor. Lá vai minha filha apaixonada e confiante. Ensaiando voos, escolhendo caminhos, encerrando ciclos. Eu, feliz, penso: cumpra-se!"

terça-feira, 3 de abril de 2012

No more lies

O Xico Sá diz que a mentira favorita dele é o orgasmo fingido, “porque o fingimento do gozo também pode ser uma prova de amor”. Também se diz “sempre a favor das que fingem com decência. Melhor que fingir a velha dor de cabeça. Contra a verossimilhança exagerada dos orgasmos com caras & bocas”. E pede, quase implora: “minta pra mim se for mulher! Aos diabos com estas tais mulheres sinceras”.

Devo admitir que concordo, em parte, com o Xico. Realmente é melhor alguém que finge com modos do que quem abusa dos gritos escandalosos e dos urros animalescos (#medo). Mas a verdade é que não há razão para fingimento.

Primeiro, porque nem toda relação sexual tem que terminar em orgasmo. Pelo menos, para a mulher. O orgasmo não é indicativo de sexo bom. O rala bem feito, mas sem um fim bombástico, pode ser muito melhor do que um sexo mais ou menos que termina com uma explosão. Não me entenda mal. Chegar lá é maravilhoso, mas não é tudo.

Segundo, porque já passou da época de fingirmos qualquer coisa em um relacionamento só para fazer o parceiro feliz. Por que não ser sincera? Os homens não aguentariam a verdade? Terapia existe para isso.

Se ele quer que você goze a todo custo, mesmo que seja só para provar que o membro dele é de ouro, ele merece saber que não conseguiu, que falhou. Merece saber que não conhece seu corpo tão bem assim. Merece saber que nem sempre sabe como enlouquecer uma mulher. Merece saber que cada uma de nós é diferente e é preciso tempo e paciência para desvendar nossos mais íntimos desejos. Merece saber que para muitas mulheres sexo bom tem que ter sentimento, envolvimento. Ou simplesmente merece ser lembrado de que nem sempre se goza, mesmo com ótimo sexo.

E é aí que quero chegar. São inúmeros os depoimentos femininos sobre o mau desempenho dos homens na cama (eles leem na internet sobre truques horrendos e saem por aí reproduzindo as acrobacias com todas que encontram pela frente, como se o que “aprenderam” funcionasse ou como se o sexo fosse matemático e todas gostássemos do mesmo). E parte da culpa é dessas pequenas mentiras que contamos ao longo da vida. Se, desde o início, a mulher se impusesse e dissesse “gosto disso, não gosto daquilo” – exatamente o que ELES fazem desde sempre, normalmente de forma tosca, é claro, sem se importar com o que vamos achar –, nossos homens seriam outros. Formaríamos uma aplaudida geração de caras bons de cama!

É claro que há exceções, que há representantes do sexo masculino verdadeiramente preocupados com a satisfação feminina (envolvendo ou não um bom orgasmo), mas eles ainda são minoria.

Se desde o início todos eles fossem ensinados a ter cautela na hora H e a ir com a mente aberta para aprender do que gosta cada mulher, todos seríamos mais felizes. Nós, satisfeitas; eles, convencidos – desta vez, com razão.