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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tolinho

Nossos olhares se encontraram em meio a uma multidão feliz e embriagada.

Poucos segundos depois, eu já sentia a respiração quente dele no meu cangote.

Nem preciso dizer o que veio a seguir.

Mas a tentativa de beijo falhou.

Esquivei-me (dessa grande e imperdível oportunidade).

Foi a primeira vez que ele tentou me beijar.

Mas não foi a primeira vez em que se “interessou” por mim.

Ele riu.

“Você sabia que eu fui obcecado por você? Nossa. Como fui. Durante uma semana, tudo o que fiz foi pensar em você, dia e noite. Aliás, qual é mesmo o seu nome?”

Aqui, uma pausa para reflexão.

Sério? O cara quer beijar a garota e a primeira coisa que ele diz, em meio à vastidão infinita de possibilidades, é que o interesse dele por você durou uma (pífia) semana e que ele nem se lembra do seu nome. Quão especial.

(Continuando...)

Você ri, por delicadeza. Diz seu nome.

Ele te elogia. “Nossa, você está linda! Ainda mais linda.” Admite que é possível (não vá ficar toda animadinha. Não há garantias) que role uma nova obsessão, como a daquela semana hoje distante.

Tudo para conseguir um beijo.

Mas o beijo não vem.

Ao todo, são cinco minutos de insistência.

Cansado do “esforço” hercúleo para me conquistar, ele vaza.

Beijo, tchau.

Dias depois, vem o pedido de amizade no Facebook.

Já amigos, a janela de bate-papo começa a piscar.

O papo segue o mesmo rumo do dia em que nos encontramos.

Agora, a cantada não é sobre sua mais nova (antiga) obsessão.

É diferente.

Ele parte com tudo pra cima.

E solta o que acredita ser uma proposta irresistível.

“Que tal nós dois na sua casa? Você cozinha. Eu tomo uma cerveja gelada, enquanto vejo jogo. A gente janta. E faz amor.”

Não, obrigada.

Pensa bem. Ele quer ficar comigo e o máximo de esforço que está disposto a fazer é dirigir até a minha casa. Eu que cozinhe e o mime muito por ter uma chance tão incrível como essa.

Deveria ter aceitado sem pestanejar. Afinal, não é sempre que um cara me propõe algo tão inacreditavelmente bom.

Mas, sei lá. Ando chata. Seletiva. Coisa de feminista. Sabe como é.

Daí ele parte pra outra estratégia: a coação.

Ele diz que conhece bem meu tipinho (começou bem). Essas mulheres que adoram bater papo e conhecer o cara antes da coisa rolar. Já saiu com algumas assim (viu, meninas? Somos uma espécie em extinção).

E acha tudo isso muito ridículo. Patético até.

Para ele, toda pessoa sabe, imediatamente, ao colocar os olhos no outro, se a coisa rola ou não. Não há nenhuma possibilidade de a conquista, o tempo ou a convivência despertarem seu interesse. Fora de cogitação.

Ou seja, qualquer lenga-lenga ou adiamento é frescura. E merece troco.

“Sabe o que faço com mulheres frescas como você? Levo para jantar nos melhores restaurantes. Duas, três vezes. Até você se sentir à vontade e deixar a coisa rolar. Então, te levo pra cama e nunca mais apareço.”

Jura?

O bom é que o cara se revela todo, rapidinho. Você nem precisa cavar informação para saber se ele presta ou não.

E ele ainda achou que, ao me contar essa deliciosa história de amor, eu ia entrar em pânico e, como não, abrir as pernas.

Ai, os homens... Sempre nos surpreendendo (ainda que negativamente).

domingo, 29 de dezembro de 2013

Por um 2014 menos matemático

Eu sempre fui racional.

Quer dizer, sou só coração (neste momento, você deve estar pensando o quão louca eu sou, já que acabei de negar palavra por palavra a primeira frase).

Mas é verdade. Sou muito emotiva.

Choro demais, me emociono com as coisas mais banais, me entrego de primeira...

É meu jeitão, desde criança.

Mas, em meio a tudo isso, sempre tive uma pitada de racionalidade.

Eu me entrego, me jogo, mas, quando vejo que tem alguma coisa errada, desconfio e ponho a racionalidade pra funcionar.

Serve pra colocar o pé no freio quando a coisa não cheira bem.

De resto, emoção pura.

Com o tempo, isso foi mudando.

Acho que as pancadas da vida acionaram meu lado racional - e ele começou a ficar muito mais alerta.

Cheguei até, há poucos anos, a viver uma experiência em que o amor nasceu com o tempo, com o carinho, com a admiração - e não fruto de uma paixão.

É estranho. Fazer o caminho inverso, digo.

Mas é bom.

É bom saber que nem sempre a coisa segue aquele caminho tradicional. Da paixão ao amor (e também aumenta as chances de conhecer alguém).

Mas é ruim.

É ruim porque não consigo imaginar coisa melhor do que aquelas borboletas no estômago, revirando tudo, de um lado pro outro, até você ficar sem força, sem sentido, tonta de desejo.

Por isso, decidi que é isso que eu quero pra 2014.

Tudo bem que a racionalidade é importante. Ninguém quer se machucar à toa.

Muito menos eu. Aos 33 anos.

Mas já chega de pôr o pé no freio.

Quero me jogar.

Quero me apaixonar. Lou-ca-men-te.

Pensar o dia todo no outro.

Sonhar com o encontro - e o reencontro.

Sentir as borboletas revirarem o estômago de prazer.

Ficar nervosa com a proximidade do beijo. Do primeiro, do segundo, do milésimo...

Quero beijos longos, molhados, em público.

Aqueles beijos adolescentes, profundos, intensos. Tão intensos que você suspira entre uma investida e outra.

Quero mãos dadas. Desejo à flor da pele.

Olhos brilhando e um sorriso que não sai do canto da boca.

Dormir de conchinha e acordar entrelaçada.

Se amar tanto ao ponto de perder a vontade de tomar café.

Mas, se vier a hora de tomar o café, tomar agarradinhos, toda hora se tocando, se pegando, se olhando - contando os minutos para o café acabar.

Quero acordar e dormir nas nuvens.

Quero flerte, arrepios, olhos marejados.

Sempre fui intensa. Com o tempo - e as dores da vida, fui mudando.

Mas não quero mais. Não quero ser madura - não nesse caso.

Quero ser menina, malandra, moleca.

Quero tudo. Ontem, hoje e amanhã.

Por isso, meu pedido na virada do dia 31 é por um ano menos matemático e mais passional.

sábado, 9 de novembro de 2013

Por mais respeito

Ele passou a noite toda conversando com ela.

Só com ela.

Demonstrou interesse logo assim que a viu. E manteve os olhos grudados nela a noite toda.

Mas não ficaram. Não trocaram telefone.

Uma semana depois se encontraram novamente.

E, mais uma vez, passaram a noite colados.

Até que veio o beijo. O grude. O amasso.

E a natural troca de telefones.

Ela ficou feliz. Gostou dele (e é bem verdade que também ajudou a tirar a cabeça do ex).

Além da troca de telefones, eles combinaram de sair juntos durante a semana.

No dia seguinte, sem notícias, ela decidiu tomar a iniciativa.

Mandou mensagem para saber onde ele estava.

Quem sabe não podiam tomar um drinque?

Nenhuma resposta veio.

Tudo bem. Ele pode estar ocupado. Estar com a filha.

E os dias foram passando. E nada de notícias.

Mal sabia ela que aquilo era um prenúncio de quem ele verdadeiramente era.

Até que veio a confirmação do jantar.

Oba! Agora vai!

Então tá.

Veio o momento de pensar na roupa. No cabelo. Na maquiagem.

Veio o momento de sonhar. Suspirar fundo. Rir sozinha em frente ao espelho. E fazer aquela dancinha destrambelhada que toda mulher feliz conhece de cor.

No dia do jantar, o coração dela estava inquieto. Borboletas teimavam em dançar salsa em seu estômago.

E a noite veio.

E lá se foi ela. Linda. Feliz. Otimista.

Pegou mesa. Se ajeitou na cadeira. Conferiu o hálito.

Dez minutos depois, olhou o celular.

Ainda nada dele.

Até que ela sacou.

Ele não compareceria.

Apesar da confirmação no meio da semana, ele furou.

Furou sem mandar mensagem pedindo desculpa pela desistência.

Furou e deixou o telefone desligado.

Assim. Desse jeito.

Por favor, alguém me diz que mundo é esse? Que jeito é esse de (des)tratar as pessoas? Como alguém pode ser tão cruel, malvado e desrespeitoso? Como alguém simplesmente destrói a esperança, os sonhos e o amor próprio de alguém?

E depois esse tipo de homem não entende porque as mulheres andam tão feridas, fechadas, traumatizadas.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Armadilhas da vida

Encontrar um cara legal é difícil.

Às vezes, encontrar qualquer cara (mesmo os não legais) é difícil.

O Noé sabe do que eu estou falando.

Ele enfrentou a mesma dificuldade para encontrar uma menina legal.

Né, Noé?

(Do blog Um Sábado Qualquer)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Por cantadas de respeito

Cantada é legal e pode até render boas risadas.

Pode ser um jeito de quebrar o gelo e começar o papo.

O melhor é que seja uma cantada boa, mas mesmo aquela mais ou menos é capaz de dar uma mãozinha.

Eu sei. Nós mulheres andamos muito compreensíveis.

Por isso, um conselho. Não mande uma cantada a não ser que tenha certeza absoluta de que ela não é ultrajante.

Veja bem. Nem estou sugerindo que a cantada seja boa.

Mas, por favor, livrem-nos de qualquer frase feita maldita.

Pior do que cantada ruim é ouvir a mesma cantada ruim três vezes. Do mesmo cara. Que não se lembra que já usou a mesma cantada ruim repetidas vezes com VOCÊ nos últimos seis meses.

Sim. Fui premiada pela loteria das cantadas lixo.

Para piorar, o cara sequer se lembra de ter me cantado antes (o que me preocupa. Muito. Primeiro, porque é a segunda vez que um cara não se lembra de já ter dado em cima de mim. Segundo, porque não que eu queira ser uma mulher inesquecível, mas também não quero cair na vala de "nada memorável").

Enfim.

Lá vem ele falar comigo.

Parece uma metralhadora com defeito.

"Nossa, que cor de cabelo é essa? Aposto que foi escolhida a dedo por Deus! E essa pele alva? Por acaso você é nórdica? E esses dentes brancos? Como podem ser tão brancos? Seu pai por acaso é dentista? Caramba, seu sorriso merece um prêmio! Você é deslumbrante! Estou sem ar! Qual é mesmo seu signo? Uau! Estou apaixonado! Eu sou jornalista frustrado, formado em Direito, escritor de três livros e poeta. Toco violão muito bem, posso te fazer um luau e vou te fazer feliz como ninguém nunca fez."

Caralérrimo!

E isso é só o que lembro.

Foram cinco minutos de bombardeio. Eu não articulei uma palavra. Fiquei só olhando com cara de pânico para a figura, que, ainda por cima, me mantinha em "cativeiro", me segurando com força pelo braço.

Impressionante a sequência de elogios. Impressionante o excesso de elogios artificiais. Impressionante a confiança intocada.

Assim que deu, corri.

Na segunda vez, a mesma coisa. Acho que a língua dele funciona na velocidade cinco do créu. Só pode.

Fugi tão rápido quanto pude.

Da última vez, não acreditei ao vê-lo se aproximar.

Sério. Só pode ser perseguição.

O que mais esse demônio da Tasmânia tem para me dizer?

E rapidamente me arrependi de ter feito mentalmente essa pergunta.

Além do discurso básico, decorado, e da memória de alface, ele soltou: "Você é caverna do dragão, deusa grega, musa do RPG".

Cuma????????

Deusa grega tudo bem. Forçado, mas é um elogio.

Agora, o que ele quis dizer com "caverna do dragão"????

Putis qui parilis!

E musa do RPG? Gente, algum viciado no jogo peloamordeDeus me explica o que poderia ser isso?

A cantada dele é tão cansativa que me esgota em questão de segundos.

E essa última foi, definitivamente, a pior de todas.

Sofri como nunca. Corri como sempre.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Agradeça por ele não ligar

O mundo realmente não é mais o mesmo. E por mais que eu tenha visto muita coisa chocante, de cair o queixo, ainda assim ele não para de me surpreender.

Dia desses a Tati me deu (mais) uma notícia difícil de engolir.

Ela ouviu de dois amigos que a mulher deveria comemorar quando o cara não liga. Quê?

Achei que não tivesse ouvido direito. Mas a Tati fez questão de repetir. Para agravar minha depressão.

Segundo eles, deveríamos comemorar quando o cara não liga porque isso significa que você é uma mulher incrível. Tão incrível que ele morre de medo de ligar. Vai que ele faz (fala) besteira? Vai que não corresponde à expectativa?

O telefone que vai tocar é, por exemplo, o da mulher baixo astral, amoral e sem outros atrativos que não o físico. Porque, com esse tipo de mulher, eles sabem lidar. Mas se você é boa gente, bem sucedida, inteligente, adeus. Quem mandou caprichar tanto?

Essa notícia me acertou em cheio. Bem no coração, que deu duas estremecidas antes de se reerguer e voltar a bater no ritmo normal (por pura questão de sobrevivência).

Se isso for mesmo verdade, estou perdida.

E mesmo que nem todo homem seja assim, dói saber que a “regra” vale para alguns (muitos?). Isso já é, em parte, uma derrota.

Uma derrota para as mulheres que são verdadeiras heroínas e dão conta do trabalho, da casa, dos amigos e da academia, diariamente, sem perder a ternura.

Uma derrota para vocês, homens, que preferem ser felizes pela metade com medo de sonhar alto. Que se recusam a crescer, se reinventar e a apostar em que tem valor de verdade.

Uma derrota para o mundo, porque haverá menos amor verdadeiro e mais amor de fachada.

Por isso, fica o meu apelo. Se aí dentro ainda bate um coração, pense bem. Liga pra ela. Você só tem a ganhar.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O dia deles

Sou conhecida por ser azeda. Pelo menos aqui no blog. Tudo bem. Eu entendo. Quem não me conhece pessoalmente, só pode “apreciar” mesmo meu lado mais ousado, digamos. E, aí, não é qualquer um que aguenta o tranco.

Quando falo de relacionamentos e de baladas, peso a mão. Faz parte do estilo do blog. Faz parte do meu momento “graças a Deus não preciso escrever mais um texto político”. E, confesso, morro de rir só de imaginar os homens lendo minhas crônicas. Olhos arregalados, coração acelerado, cabelos em pé. Tudo por conta de algumas palavras ardidas.

A única parte ruim é que, por conta do texto, logo imaginam uma solteirona encalhada, amarga e mal amada. Imagina. Nós mulheres já mostramos que somos muito mais do que isso. É possível ter uma opinião diferente, levemente exagerada, algo engraçada e ainda sim ser um partidão (não que eu me considere um partidão. Mas também não sou essa temeridade caquética que pintam por aí).

De qualquer forma, o assunto do texto de hoje são vocês, meninos. Eu, que sempre dou um jeito de avacalhar o sexo oposto, hoje me rendo a tudo o que vocês têm de bom. Mas só porque é Dia Nacional do Homem. Amanhã volto ao normal.

As coisas que eles têm que nos fazem bem

Pouca coisa supera o olhar de vocês, logo cedo, ainda na cama. Aquele olhar apaixonado, acompanhado de um sorriso discreto, de canto de boca, meio que dizendo, um tanto sem graça, o quanto somos especiais. Olhar que parece bobo, mas, para nós, é repleto de significados. Afinal, apesar de descabeladas, de cara limpa e com bafo matinal, somos dignas de amor genuíno. Ponto pra vocês.

Faltam palavras para descrever a delicadeza e a intensidade de um abraço quando tudo parece ir mal. Aquele corpo pesado, meio desengonçado, de repente se encaixa no nosso quase como quebra-cabeça e o que parecia tempestade vira chuva rápida de verão. Ponto pra vocês.

E o que dizer dos gestos inesperados de carinho? Um presente fora de data, uma flor para alegrar o dia, um post it improvisado, um ‘eu te amo’ por telefone, dito na frente dos colegas do escritório. Simples, mas especial. Ponto pra vocês.

Abrir a porta do carro. Trocar a lâmpada. Carregar as compras. Ceder o casaco. Brigar com aquele vendedor que te tratou mal. Coisas que, vindas de vocês, ganham um brilho particular. Mais pontos.

Melhor ainda é a objetividade masculina. O foco naquilo que importa.

E a capacidade de manter amizades muitas vezes mais sólidas do que as nossas? Raramente brigam por mulher. São parceiros até na guerra. Fogem de fofocas e aprendem que xingar o outro é sinal de brodagem.

Como esquecer o fogo de vocês? Uma chama (quase) sempre quente, que nos faz sentir dignas de capa de revista.

Só vocês entendem nossas manhas e aturam nosso mau humor – ainda que de mau humor vocês também. Só vocês atendem nossos caprichos. E, quando erram a mão, vão lá e fazem de novo, do nosso jeitinho.

As mulheres são melhores graças a vocês, bons homens. Feliz dia. E lembrem-se: está em vocês o poder de fazer uma mulher (muito) feliz.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Desmiolados

Não é à toa que eu sempre digo que não dá para levar homem a sério. Ainda que eles gastem horas e mais horas de lábia levantando sua autoestima (com fins claríssimos, diga-se de passagem), posso garantir que é perda de tempo levar tanta lorota a sério. Você, óbvio, pode entrar no jogo dele e simplesmente fingir que acredita, afinal está mesmo a fim de dar uns beijos (ou algo mais) – mas isso não muda o fato de que todo aquele papo foi mesmo furado.

Até porque, vamos combinar, tudo o que eles dizem faz parte de uma lista de elogios que vem gravada no DNA masculino e é aprendida, absorvida e plenamente incorporada já na mais tenra infância. Mais tarde, ela é colocada em prática para pegar mulheres indiscriminadamente – o tanto de elogios varia conforme o interesse. Se eles quiserem muito, muito, muito transar com você, prepare-se para ser comparada à Grazi Massafera.

Ter o ouvido alugado durante toda uma noite até vai. Aprendemos a nos acostumar com isso – e até a nos divertir com tanta baboseira. O problema é quando o cara esquece que já deu mole para você e vem, pela segunda vez, tentar amolecer seu coração. É o fim da picada! Como assim o cara não se lembra da sua existência?

Não que você se ache assim tão marcante, mas o cara apela. Em um fim de semana, você é a mulher mais linda que ele já viu na vida. No sábado seguinte, ele dá em cima da sua amiga e você ali, na roda. Ele te olha, sorri (quer ganhar a simpatia das amigas, ué!) e em momento algum faz cara de constrangido!

Eu nunca acreditei que isso fosse apenas resultado da falta de miolos. Ninguém pode ser assim tão lesado. Mas, de uns tempos para cá, desenvolvi uma teoria para explicar esse fenômeno.

Para mim, no fundo, o cara se lembra de que a conheceu. Lembra-se muito bem de que gastou horas tentando conquistá-la – muitas vezes, a troco de nada. E, agora, ele simplesmente quer vingança. Nada pessoal.

É claro que não se trata daquela vingança barraqueira, cheia de alarde, porque aí ficaria mal para ele. Imagina só o cara tirando satisfação com você, na frente de todo mundo? Já parou para pensar nos comentários maldosos, principalmente dos machos-alfa?

Por isso é que eles apostam em um tipo distinto de vingança. É o “barraco” indiferente! O negócio é fazer você se sentir mal, nada especial, deixando bem claro que aquela cantada foi só por esporte – e que a coisa foi tão insignificante que ele nem se lembra mais de você. E, convenhamos, não há mulher mais fácil de ganhar do que aquela desdenhada, com baixa autoestima.

Ferida, indignada, você parte pra cima: “Como assim você não se lembra de mim?”. E aí, querida, perdeu, playgirl.

É por isso que digo: não dá para levar homem a sério!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Encontro às avessas

Foram duas semanas de insistência. Duas semanas tentando marcar um encontro. Finalmente, cedi. Afinal, vai que, né? Como acredito que vale a pena ceder quando a pessoa é decidida, quando mostra que sabe o que quer, topei o jantar. Não tinha um milhão de expectativas, mas esperava passar uma noite agradável.

Conhecemo-nos durante uma dança, em uma noite sertaneja, em uma boate cheia e animada. O início, ainda que sem beijos ou intimidade, foi legal. Despretensioso. Agora era a vez de ficar cara a cara em um ambiente totalmente diferente: claro, silencioso e sem álcool para “disfarçar” as imperfeições típicas dos encontros à noite.

O problema é que ele foi longe demais na escolha do lugar. Convidou-me não só para ir ao restaurante dele, algo já tenso, mas pior: um local que serve uma comida que eu amo – e que conheço bem. Saí de casa com a sensação de que ia passar a noite sendo testada!

Como previsto, a noite foi tensa. A cada prato pedido, ele me olhava profundamente em busca de frases positivas e afirmativas sobre a excelência do que havia sido servido, na expectativa de que eu referendasse sua decisão de apostar tanto dinheiro (suado) naquele restaurante, naquele tipo de comida.

Pior é que sou uma mentirosa de araque. Dava para ver na minha cara que não estava extasiada. Embora a comida não estivesse ruim, ficou longe de receber uma nota 10, de tomar o lugar da minha atual favorita. Mas, bem, tive que mentir e foi muito sofrido – ele, obviamente, percebeu que não morri de amores pelos pratos, o que só piorou a situação.

Tão constrangedor quanto ser avaliada ao provar cada prato foi ter que “dividir” o encontro com o irmão dele, também dono do restaurante. Ele ficava parado, bem do lado da nossa mesa, umas horas falando com o meu “par” sobre coisas deles, da família, como que ignorando minha presença, em outras, metia-se no nosso papo e ficava tentando me sacar, curioso para ver se eu ia liberar um beijo ou algo assim.

Não bastasse todo o constrangimento (fui até intimada a ir ao banheiro feminino, ainda que sem vontade, só para dizer a ele o que achava da decoração, segundo ele, alvo de elogios e suspiros por parte de todas as mulheres que um dia visitaram o local), rolou aquele momento desconfortável com a chegada da conta.

Olha, nada contra dividir os gastos, afinal, hoje, as mulheres, via de regra, têm emprego e grana, mas acho que pelo menos na primeira vez, no primeiro encontro, o cara deveria pagar. Não foi ele quem a convidou? Não foi ele quem insistiu horrores para sair contigo? Não foi ele quem queria que você fosse ao restaurante DELE, comer a comida que garante o sustento DELE? E você ainda precisa dividir a conta?

E o cara ainda ficou revoltado porque saiu de lá sem beijo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Garota ecobag

Competitivo não é o termo mais adequado para descrever o mundo como ele é hoje. Diria que avassalador combina melhor.

Sabe quando você acha que as coisas vão começar a se tornar mais simples, fáceis, naturais até, e nada disso acontece? Pelo contrário. Parece que, mesmo com toda a maturidade e jogo de cintura que você adquire, ainda assim a vida anda de pá virada pro seu lado. É jogo duro!

Tem sido assim no trabalho, na luta diária pelo emagrecimento e, como não, no mundo da paquera.

Pegue o exemplo da arte da azaração.

Você, desde cedo, é levada a acreditar que os bons partidos se dão bem na vida – e nunca terminam sozinhos. Então, você estuda, pratica esportes, aprende um idioma, cuida do look, desenvolve habilidades de conversação, trabalha seu lado delicado, dedica tempo aos demais e aprende até a cozinhar. De repente, nada disso importa.

Hoje, o que vale é ter bundão e peitão – e andar praticamente nua, do alto de um saltão 15 cm. Se você for mulher, claro.

E aí quem não tem nenhum desses “predicados” (bota aspas nisso!) precisa aprender tudo do zero! Afinal, suas armas não vão mais ganhar esta batalha.

Você, então, é ensinada a desdenhar – e não mostrar interesse, como seria de se imaginar – a pessoa que te interessa. Afinal, como o mundo está abarrotado de mulher solteira, o que não falta é oferta. E, como você não tem bundão e peitão, precisa chamar atenção por outra coisa. E nada mais escandalosamente chamativo do que uma mulher que foge de relacionamentos e que tem ânsia de vômito só de ouvir a palavra casamento.

Com isso, nasce uma nova geração de mulheres: a mulher ecobag. É aquela que aprende a se reciclar, levando em consideração as novas necessidades/demandas do novo mundo. É aquela se sabe se readaptar ao mercado, sem ter que jogar no lixo os anos de aprendizado old fashion. Cara nova, vida nova.

Como só sobrevive quem se recicla/atualiza, agora é hora de ser fria com os homens e agir como eles para garantir um namorado.

Já viu como homem fica doidinho atrás de mulher que só dá patada? Como eles adoram as más e grosseiras? Como eles curtem o desafio da conquista, principalmente quando são pisoteados em praça pública?

Minha amiga é pioneira. Sacou isso há mais tempo do que eu e tem já dois ex-canalhas na cola dela, loucos para virarem namoradinho e dormirem de conchinha.