O mundo realmente não é mais o mesmo. E por mais que eu tenha visto muita coisa chocante, de cair o queixo, ainda assim ele não para de me surpreender.
Dia desses a Tati me deu (mais) uma notícia difícil de engolir.
Ela ouviu de dois amigos que a mulher deveria comemorar quando o cara não liga. Quê?
Achei que não tivesse ouvido direito. Mas a Tati fez questão de repetir. Para agravar minha depressão.
Segundo eles, deveríamos comemorar quando o cara não liga porque isso significa que você é uma mulher incrível. Tão incrível que ele morre de medo de ligar. Vai que ele faz (fala) besteira? Vai que não corresponde à expectativa?
O telefone que vai tocar é, por exemplo, o da mulher baixo astral, amoral e sem outros atrativos que não o físico. Porque, com esse tipo de mulher, eles sabem lidar. Mas se você é boa gente, bem sucedida, inteligente, adeus. Quem mandou caprichar tanto?
Essa notícia me acertou em cheio. Bem no coração, que deu duas estremecidas antes de se reerguer e voltar a bater no ritmo normal (por pura questão de sobrevivência).
Se isso for mesmo verdade, estou perdida.
E mesmo que nem todo homem seja assim, dói saber que a “regra” vale para alguns (muitos?). Isso já é, em parte, uma derrota.
Uma derrota para as mulheres que são verdadeiras heroínas e dão conta do trabalho, da casa, dos amigos e da academia, diariamente, sem perder a ternura.
Uma derrota para vocês, homens, que preferem ser felizes pela metade com medo de sonhar alto. Que se recusam a crescer, se reinventar e a apostar em que tem valor de verdade.
Uma derrota para o mundo, porque haverá menos amor verdadeiro e mais amor de fachada.
Por isso, fica o meu apelo. Se aí dentro ainda bate um coração, pense bem. Liga pra ela. Você só tem a ganhar.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Agradeça por ele não ligar
segunda-feira, 15 de julho de 2013
O dia deles
Sou conhecida por ser azeda. Pelo menos aqui no blog. Tudo bem. Eu entendo. Quem não me conhece pessoalmente, só pode “apreciar” mesmo meu lado mais ousado, digamos. E, aí, não é qualquer um que aguenta o tranco.
Quando falo de relacionamentos e de baladas, peso a mão. Faz parte do estilo do blog. Faz parte do meu momento “graças a Deus não preciso escrever mais um texto político”. E, confesso, morro de rir só de imaginar os homens lendo minhas crônicas. Olhos arregalados, coração acelerado, cabelos em pé. Tudo por conta de algumas palavras ardidas.
A única parte ruim é que, por conta do texto, logo imaginam uma solteirona encalhada, amarga e mal amada. Imagina. Nós mulheres já mostramos que somos muito mais do que isso. É possível ter uma opinião diferente, levemente exagerada, algo engraçada e ainda sim ser um partidão (não que eu me considere um partidão. Mas também não sou essa temeridade caquética que pintam por aí).
De qualquer forma, o assunto do texto de hoje são vocês, meninos. Eu, que sempre dou um jeito de avacalhar o sexo oposto, hoje me rendo a tudo o que vocês têm de bom. Mas só porque é Dia Nacional do Homem. Amanhã volto ao normal.
As coisas que eles têm que nos fazem bem
Pouca coisa supera o olhar de vocês, logo cedo, ainda na cama. Aquele olhar apaixonado, acompanhado de um sorriso discreto, de canto de boca, meio que dizendo, um tanto sem graça, o quanto somos especiais. Olhar que parece bobo, mas, para nós, é repleto de significados. Afinal, apesar de descabeladas, de cara limpa e com bafo matinal, somos dignas de amor genuíno. Ponto pra vocês.
Faltam palavras para descrever a delicadeza e a intensidade de um abraço quando tudo parece ir mal. Aquele corpo pesado, meio desengonçado, de repente se encaixa no nosso quase como quebra-cabeça e o que parecia tempestade vira chuva rápida de verão. Ponto pra vocês.
E o que dizer dos gestos inesperados de carinho? Um presente fora de data, uma flor para alegrar o dia, um post it improvisado, um ‘eu te amo’ por telefone, dito na frente dos colegas do escritório. Simples, mas especial. Ponto pra vocês.
Abrir a porta do carro. Trocar a lâmpada. Carregar as compras. Ceder o casaco. Brigar com aquele vendedor que te tratou mal. Coisas que, vindas de vocês, ganham um brilho particular. Mais pontos.
Melhor ainda é a objetividade masculina. O foco naquilo que importa.
E a capacidade de manter amizades muitas vezes mais sólidas do que as nossas? Raramente brigam por mulher. São parceiros até na guerra. Fogem de fofocas e aprendem que xingar o outro é sinal de brodagem.
Como esquecer o fogo de vocês? Uma chama (quase) sempre quente, que nos faz sentir dignas de capa de revista.
Só vocês entendem nossas manhas e aturam nosso mau humor – ainda que de mau humor vocês também. Só vocês atendem nossos caprichos. E, quando erram a mão, vão lá e fazem de novo, do nosso jeitinho.
As mulheres são melhores graças a vocês, bons homens. Feliz dia. E lembrem-se: está em vocês o poder de fazer uma mulher (muito) feliz.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Desmiolados
Não é à toa que eu sempre digo que não dá para levar homem a sério. Ainda que eles gastem horas e mais horas de lábia levantando sua autoestima (com fins claríssimos, diga-se de passagem), posso garantir que é perda de tempo levar tanta lorota a sério. Você, óbvio, pode entrar no jogo dele e simplesmente fingir que acredita, afinal está mesmo a fim de dar uns beijos (ou algo mais) – mas isso não muda o fato de que todo aquele papo foi mesmo furado.
Até porque, vamos combinar, tudo o que eles dizem faz parte de uma lista de elogios que vem gravada no DNA masculino e é aprendida, absorvida e plenamente incorporada já na mais tenra infância. Mais tarde, ela é colocada em prática para pegar mulheres indiscriminadamente – o tanto de elogios varia conforme o interesse. Se eles quiserem muito, muito, muito transar com você, prepare-se para ser comparada à Grazi Massafera.
Ter o ouvido alugado durante toda uma noite até vai. Aprendemos a nos acostumar com isso – e até a nos divertir com tanta baboseira. O problema é quando o cara esquece que já deu mole para você e vem, pela segunda vez, tentar amolecer seu coração. É o fim da picada! Como assim o cara não se lembra da sua existência?
Não que você se ache assim tão marcante, mas o cara apela. Em um fim de semana, você é a mulher mais linda que ele já viu na vida. No sábado seguinte, ele dá em cima da sua amiga e você ali, na roda. Ele te olha, sorri (quer ganhar a simpatia das amigas, ué!) e em momento algum faz cara de constrangido!
Eu nunca acreditei que isso fosse apenas resultado da falta de miolos. Ninguém pode ser assim tão lesado. Mas, de uns tempos para cá, desenvolvi uma teoria para explicar esse fenômeno.
Para mim, no fundo, o cara se lembra de que a conheceu. Lembra-se muito bem de que gastou horas tentando conquistá-la – muitas vezes, a troco de nada. E, agora, ele simplesmente quer vingança. Nada pessoal.
É claro que não se trata daquela vingança barraqueira, cheia de alarde, porque aí ficaria mal para ele. Imagina só o cara tirando satisfação com você, na frente de todo mundo? Já parou para pensar nos comentários maldosos, principalmente dos machos-alfa?
Por isso é que eles apostam em um tipo distinto de vingança. É o “barraco” indiferente! O negócio é fazer você se sentir mal, nada especial, deixando bem claro que aquela cantada foi só por esporte – e que a coisa foi tão insignificante que ele nem se lembra mais de você. E, convenhamos, não há mulher mais fácil de ganhar do que aquela desdenhada, com baixa autoestima.
Ferida, indignada, você parte pra cima: “Como assim você não se lembra de mim?”. E aí, querida, perdeu, playgirl.
É por isso que digo: não dá para levar homem a sério!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Encontro às avessas
Foram duas semanas de insistência. Duas semanas tentando marcar um encontro. Finalmente, cedi. Afinal, vai que, né? Como acredito que vale a pena ceder quando a pessoa é decidida, quando mostra que sabe o que quer, topei o jantar. Não tinha um milhão de expectativas, mas esperava passar uma noite agradável.
Conhecemo-nos durante uma dança, em uma noite sertaneja, em uma boate cheia e animada. O início, ainda que sem beijos ou intimidade, foi legal. Despretensioso. Agora era a vez de ficar cara a cara em um ambiente totalmente diferente: claro, silencioso e sem álcool para “disfarçar” as imperfeições típicas dos encontros à noite.
O problema é que ele foi longe demais na escolha do lugar. Convidou-me não só para ir ao restaurante dele, algo já tenso, mas pior: um local que serve uma comida que eu amo – e que conheço bem. Saí de casa com a sensação de que ia passar a noite sendo testada!
Como previsto, a noite foi tensa. A cada prato pedido, ele me olhava profundamente em busca de frases positivas e afirmativas sobre a excelência do que havia sido servido, na expectativa de que eu referendasse sua decisão de apostar tanto dinheiro (suado) naquele restaurante, naquele tipo de comida.
Pior é que sou uma mentirosa de araque. Dava para ver na minha cara que não estava extasiada. Embora a comida não estivesse ruim, ficou longe de receber uma nota 10, de tomar o lugar da minha atual favorita. Mas, bem, tive que mentir e foi muito sofrido – ele, obviamente, percebeu que não morri de amores pelos pratos, o que só piorou a situação.
Tão constrangedor quanto ser avaliada ao provar cada prato foi ter que “dividir” o encontro com o irmão dele, também dono do restaurante. Ele ficava parado, bem do lado da nossa mesa, umas horas falando com o meu “par” sobre coisas deles, da família, como que ignorando minha presença, em outras, metia-se no nosso papo e ficava tentando me sacar, curioso para ver se eu ia liberar um beijo ou algo assim.
Não bastasse todo o constrangimento (fui até intimada a ir ao banheiro feminino, ainda que sem vontade, só para dizer a ele o que achava da decoração, segundo ele, alvo de elogios e suspiros por parte de todas as mulheres que um dia visitaram o local), rolou aquele momento desconfortável com a chegada da conta.
Olha, nada contra dividir os gastos, afinal, hoje, as mulheres, via de regra, têm emprego e grana, mas acho que pelo menos na primeira vez, no primeiro encontro, o cara deveria pagar. Não foi ele quem a convidou? Não foi ele quem insistiu horrores para sair contigo? Não foi ele quem queria que você fosse ao restaurante DELE, comer a comida que garante o sustento DELE? E você ainda precisa dividir a conta?
E o cara ainda ficou revoltado porque saiu de lá sem beijo.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Garota ecobag
Competitivo não é o termo mais adequado para descrever o mundo como ele é hoje. Diria que avassalador combina melhor.
Sabe quando você acha que as coisas vão começar a se tornar mais simples, fáceis, naturais até, e nada disso acontece? Pelo contrário. Parece que, mesmo com toda a maturidade e jogo de cintura que você adquire, ainda assim a vida anda de pá virada pro seu lado. É jogo duro!
Tem sido assim no trabalho, na luta diária pelo emagrecimento e, como não, no mundo da paquera.
Pegue o exemplo da arte da azaração.
Você, desde cedo, é levada a acreditar que os bons partidos se dão bem na vida – e nunca terminam sozinhos. Então, você estuda, pratica esportes, aprende um idioma, cuida do look, desenvolve habilidades de conversação, trabalha seu lado delicado, dedica tempo aos demais e aprende até a cozinhar. De repente, nada disso importa.
Hoje, o que vale é ter bundão e peitão – e andar praticamente nua, do alto de um saltão 15 cm. Se você for mulher, claro.
E aí quem não tem nenhum desses “predicados” (bota aspas nisso!) precisa aprender tudo do zero! Afinal, suas armas não vão mais ganhar esta batalha.
Você, então, é ensinada a desdenhar – e não mostrar interesse, como seria de se imaginar – a pessoa que te interessa. Afinal, como o mundo está abarrotado de mulher solteira, o que não falta é oferta. E, como você não tem bundão e peitão, precisa chamar atenção por outra coisa. E nada mais escandalosamente chamativo do que uma mulher que foge de relacionamentos e que tem ânsia de vômito só de ouvir a palavra casamento.
Com isso, nasce uma nova geração de mulheres: a mulher ecobag. É aquela que aprende a se reciclar, levando em consideração as novas necessidades/demandas do novo mundo. É aquela se sabe se readaptar ao mercado, sem ter que jogar no lixo os anos de aprendizado old fashion. Cara nova, vida nova.
Como só sobrevive quem se recicla/atualiza, agora é hora de ser fria com os homens e agir como eles para garantir um namorado.
Já viu como homem fica doidinho atrás de mulher que só dá patada? Como eles adoram as más e grosseiras? Como eles curtem o desafio da conquista, principalmente quando são pisoteados em praça pública?
Minha amiga é pioneira. Sacou isso há mais tempo do que eu e tem já dois ex-canalhas na cola dela, loucos para virarem namoradinho e dormirem de conchinha.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Dando um tempo
Eu sempre amei a noite. Desde que me entendo por gente, ela sempre foi minha preferida.
É claro, não posso negar que a manhã tem lá seu charme. Adoro vê-la despertar, cheia de possibilidades, surpresas, convites, mas com ela sempre estou no auge do meu mau humor. E foi assim desde pequena.
E a tarde? Ah, a tarde é maneira. Ela não desperta nem um pouco do mau humor que a manhã desperta em mim e, de verdade, sinto que ela tem mesmo muito a oferecer. O problema são as cobranças. A tarde quer algo em troca: resultados, eficiência, metas cumpridas, disposição. E eu não estou pronta para isso.
Como explicar, então, explicar o meu lance com a noite?
É que só a noite permite a todos os gatos serem pardos. A noite não dita regras, limites, recomendações, não acredita em certo e errado. A noite curte todos. A noite nos permite estar relaxados, deixar de lado nossas máscaras, dá espaço para que aquele quê de menino(a)/palhaço(a) volte à tona. Ela é única.
O problema é que eu e a noite nos desentendemos. Ela mudou. Deixou de ser divertida. Deixou de ser livre, sem regras e sem limites. Deixou de ser eclética, mente aberta, topa-tudo. Às vezes, tenho a sensação de que a noite foi aceita no Big Brother, pois agora ela só anda com pessoas achatadas, saídas de uma fábrica de biscoitos, envoltos em uma mesma embalagem, desempenhando os mesmos papeis.
A noite era relaxada e virou uma neurótica. Transformou-se em uma patricinha mimada, fútil. Passou a me sugar tanto, tanto, que conseguiu provocar em mim um efeito que só a manhã costumava ter: arrancou lágrimas minhas. Foi por isso que nós demos um tempo.
E então eu comecei a passar mais horas do meu dia com outro: o forno. Não exatamente uma figurinha nova na minha vida, mas, ainda assim, durante muito tempo, nossa relação era apenas de coleguismo.
De repente, não nos desgrudamos mais. Assim que me livrava do trabalho, eu só queria estar com ele. Nada mais me interessava. Fizemos várias coisas juntas, todas muito maneiras. Divertimos-nos com nossos erros, com minhas trapalhadas de principiante e, inevitavelmente, nosso relacionamento foi mudando de status. Chegamos a um momento sério, bom, íntimo. Nem dá para imaginar que um dia fomos apenas colegas.
O problema é que, justo agora, quando tudo parecia tão bem e eu via nossa relação decolar, a coisa mudou de figura. Começou a desandar. Nosso lance deixou de ser simples, fácil. Os frutos da nossa interação, antes altamente positivos, passaram a ser duvidosos; em alguns casos, trágicos. Não sei o que houve, mas algo abalou nossa sintonia. A parceria perfeita rompeu-se. Rachou. E as marcas não nos deixam mais esquecer a má fase e retomar os momentos de glória.
Hoje, eu e o forno resolvemos dar um tempo.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Não dá mais pra mim
Tudo bem que hoje em dia os 30 são os novos 20. Tudo bem que estamos mais em forma, mais dispostas e até com mais grana pra gastar do que as mulheres da geração anterior (ainda que me pareça, sinceramente, que elas tinham muito mais pique do que nós: aquele tanto de filhos, o marido preguiçoso, uma casa fonte de pepinos... e sempre dispostas!). Tudo bem que não há mais limite de idade pra sair por aí bebendo uns drinques, chacoalhando o quadril e, quem sabe, beijando alguma(s) boca(s).
Mas chega a hora que você, minha querida, não serve mais para a balada. E essa hora vem sem avisar (com os homens é diferente; eles nunca sabem quando parar – e não é por falta de informação ou dica). Não se trata de atingir uma idade específica. Afinal, as mulheres já provaram que hoje são elas que ditam suas próprias regras. Quer dizer, até o dia em que a natureza se impõe, o momento temido surge (do nada e com tudo) e exaure toda e qualquer força baladística que existe no seu corpo! Você simplesmente fica atrofiada, definha.
Passei por isso na última semana. Após meses praticamente criando raízes em casa, fui intimada a sair. Já achava que não ia dar certo; sentia que meu momento noitada tinha morrido, mas topei. O problema é que, chegando ao local, eu e minha “intimadora” nos demos conta de que nossa hora chegou. Pra valer.
Então, aqui vão dicas para você que sente que seu momento também chegou.
Tenha certeza de que sua fase balada passou quando:
1. Você é a única de vestido longo e florido, rasteirinha, roupas soltas ou corpo praticamente coberto na noite. Mulher em sintonia com a balada só vai de roupa curta, apertada, em tons neon ou com brilho, saltão e decote, muito decote;
2. Você não aguenta sair sem casaco e, quando o faz, sente frio, muuuuuuuuuuito frio (tanto que só pensa em fugir correndo da fila e cair na cama quentinha!). Mulheres talhadas para a noite não sentem frio nunca;
3. Você mal entra no local e já reclama da música alta. Esse negócio de “tá fazendo muito barulho e “não tô te ouvindo direito” é coisa de gente velha. Gente preparada gosta de lascar o tímpano;
4. Você reclama do excesso de pessoas. Quer coisa mais gagá do que isso? Neguinho baladeiro AMA lotação! Mais biscoito no pacote para poder escolher! E você aí se queixando;
5. Você fica contando os minutos para ir embora e embarcar naquele sono bom, longo, profundo! Noiteiro que se preze não arrasta o pé da farra antes das 5h!;
6. Você para de beber com medo da Lei Seca. Imagina ficar sem carteira? Mas quem é profissional do ramo está sempre com um copo de álcool na mão! E de olho no Waze pra driblar a fiscalização, claro!
Viu? Às vezes, é preciso admitir a derrota e se dedicar àquilo que se faz bem: comer e dormir.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Ele não quer namorar?
Queridos, enquanto não arrumo tempo para postar uma crônica minha, coloco aqui um texto bacana do Ivan Martins! Divirtam-se!
"O mundo parece estar cheio de homens que não querem namorar. Eles me contam isso, as mulheres que saem com eles dizem isso. Eu não entendo. Que o sujeito hesite em morar junto, casar, ter filhos, comprar apartamento pelo SFH – tudo isso me parece compreensível. Esses são grandes passos e nem todos estão prontos para o compromisso. Mas namorar, tanto quanto eu sei, não dói. Andar de mãos dadas, viajar no feriado, ir ao cinema no sábado à tarde são atos no campo do prazer, não do dever. Não deveriam constituir um problema. No entanto...
Pergunte às mulheres e ouça o que elas têm a dizer sobre o assunto. Essencialmente, vão contar que os caras só querem o bilhete de ida. Estão a fim de uma viagem única. Se gostar do sexo, do agarro, do beijo, o sujeito volta; ou não. Tudo é negociado um dia de cada vez. Não há laços, nem fins de semana assegurados, muito menos exclusividade. Esta situação, que antes seria considerada transitória, agora pode durar indefinidamente. Do ponto de vista de algumas mulheres com quem eu tenho conversado, os relacionamentos ficaram parecidos com empregos precários: não há contrato, não há garantias e aviso prévio não existe. Pode acabar a qualquer instante, já que oficialmente nunca começou. É o amor terceirizado.
Da parte dos caras, a queixa é outra. “Eu não me envolvo”, eles reclamam. Sai moça, entra moça, e fica o mesmo vazio. A mulher que parecia espetacular perde o brilho em poucos dias. A empolgação inicial não se sustenta. Tudo se resume a um desejo passageiro, que pula de uma dona para outra. Como nada ganha relevo, tudo é igual a tudo. Então se trata, simplesmente, de administrar uma agenda com vários nomes. Isso inclui Facebook, celular e muitas horas vazias e solidão. Um dia a Fulana, outro dia a Sicrana, amanhã, quem sabe, alguém capaz de fazer diferença. Em cada uma delas, novidade e prazer. Nos intervalos entre elas, ansiedade e tédio. Entre uma e outra, angústia.
Como eu já disse, não entendo muito bem essa dificuldade. Acho bom demais namorar. Melhor coisa do mundo, na verdade. Os primeiros meses de namoro são melhores que banho de cachoeira, melhor que pegar jacaré no fim de uma tarde de verão, melhor que ficar bebum em companhia de amigos queridos. No namoro a gente descobre (ou redescobre) que pode ser feliz, que o nosso romantismo não morreu, que existe dentro de nós um sujeito capaz de gestos arrebatados e pensamentos delicados, um cara que se lembra de comprar um presente inesperado e de mandar um poema no meio da tarde, pelo celular. Quem não gosta de sentir-se assim levanta a mão - e corre assim mesmo, de mão erguida, para o analista mais próximo!
Então, não acho que os homens tenham problemas com isso. Seria desumano. Minha impressão é que há dois tipos de situações, a simples e a complexa. A simples é realmente simples: ele não quer namorar você, mas não significa que não queira namorar em geral. As mulheres às vezes confundem. Criam fantasias sobre as dificuldades afetivas de um cara que apenas não está a fim delas, mas cai de quatro dias depois pela próxima mulher que entra na vida dele. Isso acontece o tempo todo. É do jogo. Levanta e vai à luta, menina.
Mas há outro tipo homem para quem namorar é realmente um problema. Entre ele e o oásis de ternura e erotismo chamado namoro caminha a besta vigilante da ansiedade. A fera peluda de olhos flamejantes impede o sujeito de se concentrar. Faz com que ele se disperse numa multidão de desejos conflitantes. Diante de tantas garotas, diante de tamanha possibilidade de prazer, o cara não consegue fixar sua atenção em ninguém. Quer tudo, deseja todas, e, por mais que obtenha, continua insatisfeito - porque há sempre mais ao redor. Sempre existe uma mulher mais bonita, mais sexy, mais interessante na próxima esquina. Se a bússola do coração está quebrada, seu dono nunca vai achar o Norte. É uma corrida sem linha de chegada. Mesmo sozinho e miserável, o sujeito seguirá esperando a resposta definitiva do universo às suas inatingíveis aspirações. Pode chamar isso de burrice, mas eu acho que é mesmo ansiedade e desassossego. Uma forma destrutiva de romantismo.
As mulheres se julgam as criaturas mais românticas do planeta, mas talvez não sejam. Olhe em volta: diante de um cara apaixonado, bacana, determinado a ficar com elas, boa parte das mulheres sossega. O cara pode não ser perfeito, mas se torna “o cara”. Há nisso um pragmatismo que muitos homens perderam. Enquanto as mulheres escolhem de maneira apaixonada, mas com os pés no chão, eles parecem viver nas nuvens, sonhando com a mulher perfeita. Como ela não aparece, o cara vai testando uma atrás da outra, como se levasse um sapatinho de cristal no bolso. O padrão de exigência é elevado, opressivo talvez. Muitas vezes baseado apenas em aparência. Tem homem adulto se apaixonando pela mulher da capa de revista, por atriz de filme pornô, por modelo americana. Homens de 30 anos, eu digo. Homens de 40. Não há limite de idade para o desvario. Uma legião de barbados de todas as classes e graus de instrução vive à mercê de fantasias que bloqueiam as construções afetivas verdadeira. Como o sujeito vai namorar se a mulher da vida dele pode aparecer do nada na semana que vem? Se você está apaixonada por um cara assim, talvez seja melhor dar um tempo e esperar ele pousar na Terra. Pode demorar uns aninhos.
O Alain de Botton, que virou meu guru nesses assuntos, lembra que ali pelos 40 anos o sujeito já começa a perceber que vai morrer, e isso acrescenta a tudo que ele faz uma tinta de urgência. Sobretudo no sexo. Antes de empacotar, antes de ficar broxa e caído, é preciso aproveitar a juventude – dos outros. Esse sentimento é forte. Se o jovem quer todas as mulheres do mundo porque está nadando em desejo e inexperiência, o mais velho sente o mesmo porque acha que está saindo de cena e tem fome de vida. O período de maturidade masculino, essa quimera científica, fica cada vez mais curto, espremido entre duas áreas de insensatez em expansão.
Claro, não há dois homens iguais. O roteiro que eu descrevo não vale para todos. Talvez valha só para uma minoria ruidosa. A maioria – quem tem essa estatística? – deve estar feliz agora mesmo, encomendando na internet o presente de Natal para a namorada. Ou planejando uma viagem romântica de Ano Novo com ela. Não sei. Olho pro mar e vejo apenas quem está se afogando – e são muitos. Se eu pudesse dizer alguma coisa para eles, diria “pare, respire, comece alguma coisa”. Escolha alguém que toque os seus sentimentos e se deixe ficar ao lado dela. As mulheres, quando querem, quando nós deixamos, têm um jeito gostoso de nos fazer felizes. Pode não ser para sempre, mas quem se importa? A vida é um dia de cada vez – e eles são melhores quando a gente está namorando."
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Tirando onda
Homem tem sempre que estar por cima da carne seca, principalmente quando o assunto são as mulheres (e os relacionamentos). Não importa o preço a pagar. O que ele não pode é permitir que a mulher tenha qualquer espaço para se sentir segura, confiante, no comando (ainda mais quando a coisa está engatando, que é quando ele mais precisa mostrar que é fudêncio). Quando isso acontece, tem início a batalha masculina para recuperar o posto de “é você quem está na minha e não o contrário, baby”. E aí, colega, vale tudo. Até distorcer histórias.
O grande problema é que se você, homem, decidiu mentir para virar o jogo, pelo menos minta convincentemente – e jamais permita que a mulher descubra a verdade. Porque aí, cara, você estará para sempre desmoralizado. Não importa quão bom você seja no resto.
Eu, por exemplo, já fui alvo desse esquema. Um cara, aparentemente muito interessado, fazia planos mirabolantes para ficarmos juntos. O problema foi que ele resolveu tirar aquela onda com a minha cara, pra ver se eu ficava com medinho de perdê-lo e passava então a idolatrá-lo (até porque os caras acham mesmo que as mulheres com mais de 30 são escolhidas e não mais escolhem... Tolinhos...).
Enfim, ele soltou uma lorota sobre uma mulher que avançou nele no meio do expediente. E deu detalhes de como apenas foi educado, “por causa do trabalho, você sabe, né gata?”.
O pior foi que, horas após a tal história, ele logou no Facebook para me mostrar o rosto da tal “avançadinha”. E eu, que não sou boba, aproveitei para ler as mensagens que eles trocaram. Surpresa zero ao ver verdadeiramente como a história se desenrolou.
Foi ele quem adicionou a garota, puxou conversa, partiu pra cima. No mesmo minuto, ele viu que tinha perdido. Levantou todo irritado, calçou o sapato e saiu bufando sobre a minha infantilidade (minha? Hum...). Quis virar o jogo, colocar a culpa em mim.
“Ô, seu menino, perdeu?” Então, engole o choro e vaza com o resto de decência que lhe sobrou. Mas não vira e tenta me fazer sentir mal pelas suas mentiras. Como dois bons solteiros, tudo o que ele precisava ter feito era guardar a história pra si. Mas não. Quis tirar onda, vantagem. Como se não bastasse, ao sacar que me perdia, soltou a desculpa: “era só sexo”. Mereço?
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Aonde vamos parar?
Eu consigo até entender por que as pessoas traem. Desejo incontrolável, a emoção do proibido, concretizar uma conquista há muito sonhada, tédio no relacionamento e até mesmo aquela vontade desesperada de se sentir amada por alguém (já que o parceiro anda dormindo no ponto). Ainda assim, sou contra.
É que, apesar de entender o motivo da pessoa, não consigo concordar com nenhum deles. Traição é traição, como diriam os “poetas” do funk. E eu sou absolutamente contra qualquer tipo de traição, do selinho ao sexo consumado.
Aliás, sempre pensei assim. Eu acho que quando você decide ficar com alguém, topa entrar em um relacionamento, você está se comprometendo com aquela pessoa – a não ser que exista entre vocês um acordo explícito de que fidelidade não é importante. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém; todos temos direito a continuar livres e soltos – e aproveitar como quiser as oportunidades que aparecerem pelo caminho! Agora, se você fez a escolha de ficar com alguém pra valer, encare essa escolha!
O que mais me desagrada na traição é a falta de respeito pelo parceiro. Sempre imagino a cena de um dos dois em casa, esperando pelo outro, enquanto a fuleragem rola solta... Coitado de quem ficou em casa, ouviu as desculpas do outro sobre o excesso de trabalho, as reuniões sem fim, e ainda recebeu o traidor de braços abertos, cheio de carinho pra dar. Ninguém merece passar por isso: se dedicar a um relacionamento, acreditando que toda renúncia vale a pena, enquanto o outro fica atrás do melhor dos dois mundos.
Ainda que abomine qualquer tipo de traição, com o passar dos anos aprendi a diferenciar os tipos de pulada de cerca – e acho que há umas mais justificáveis, entendíveis, e outras menos. Por exemplo, acho mais fácil aceitar a pessoa que busca “consolo” após se sentir totalmente largada, abandonada pelo parceiro – isso depois de várias tentativas de conversar e resolver os problemas. Ainda sou a favor de cair fora primeiro e só depois procurar outra pessoa, mas pelo menos consigo entender quem trai em uma situação dessas.
Agora, quem trai por esporte me mata. Acho um absurdo quem fica por ficar, só para não perder a prática ou só porque o instinto “pede”. Pior: quando a traição é pública, bem na cara de quem quiser ver. Sinceramente, por que não continuar solteiro e piriguetar loucamente em vez de deliberadamente optar por humilhar, desrespeitar e enganar aquela pessoa que está a seu lado? Honestamente, se é para isso que lutamos tanto, se é esse o tipo de “evolução” ou liberdade que as pessoas buscam, pode parar tudo porque quero descer.
