Competitivo não é o termo mais adequado para descrever o mundo como ele é hoje. Diria que avassalador combina melhor.
Sabe quando você acha que as coisas vão começar a se tornar mais simples, fáceis, naturais até, e nada disso acontece? Pelo contrário. Parece que, mesmo com toda a maturidade e jogo de cintura que você adquire, ainda assim a vida anda de pá virada pro seu lado. É jogo duro!
Tem sido assim no trabalho, na luta diária pelo emagrecimento e, como não, no mundo da paquera.
Pegue o exemplo da arte da azaração.
Você, desde cedo, é levada a acreditar que os bons partidos se dão bem na vida – e nunca terminam sozinhos. Então, você estuda, pratica esportes, aprende um idioma, cuida do look, desenvolve habilidades de conversação, trabalha seu lado delicado, dedica tempo aos demais e aprende até a cozinhar. De repente, nada disso importa.
Hoje, o que vale é ter bundão e peitão – e andar praticamente nua, do alto de um saltão 15 cm. Se você for mulher, claro.
E aí quem não tem nenhum desses “predicados” (bota aspas nisso!) precisa aprender tudo do zero! Afinal, suas armas não vão mais ganhar esta batalha.
Você, então, é ensinada a desdenhar – e não mostrar interesse, como seria de se imaginar – a pessoa que te interessa. Afinal, como o mundo está abarrotado de mulher solteira, o que não falta é oferta. E, como você não tem bundão e peitão, precisa chamar atenção por outra coisa. E nada mais escandalosamente chamativo do que uma mulher que foge de relacionamentos e que tem ânsia de vômito só de ouvir a palavra casamento.
Com isso, nasce uma nova geração de mulheres: a mulher ecobag. É aquela que aprende a se reciclar, levando em consideração as novas necessidades/demandas do novo mundo. É aquela se sabe se readaptar ao mercado, sem ter que jogar no lixo os anos de aprendizado old fashion. Cara nova, vida nova.
Como só sobrevive quem se recicla/atualiza, agora é hora de ser fria com os homens e agir como eles para garantir um namorado.
Já viu como homem fica doidinho atrás de mulher que só dá patada? Como eles adoram as más e grosseiras? Como eles curtem o desafio da conquista, principalmente quando são pisoteados em praça pública?
Minha amiga é pioneira. Sacou isso há mais tempo do que eu e tem já dois ex-canalhas na cola dela, loucos para virarem namoradinho e dormirem de conchinha.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Garota ecobag
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Dando um tempo
Eu sempre amei a noite. Desde que me entendo por gente, ela sempre foi minha preferida.
É claro, não posso negar que a manhã tem lá seu charme. Adoro vê-la despertar, cheia de possibilidades, surpresas, convites, mas com ela sempre estou no auge do meu mau humor. E foi assim desde pequena.
E a tarde? Ah, a tarde é maneira. Ela não desperta nem um pouco do mau humor que a manhã desperta em mim e, de verdade, sinto que ela tem mesmo muito a oferecer. O problema são as cobranças. A tarde quer algo em troca: resultados, eficiência, metas cumpridas, disposição. E eu não estou pronta para isso.
Como explicar, então, explicar o meu lance com a noite?
É que só a noite permite a todos os gatos serem pardos. A noite não dita regras, limites, recomendações, não acredita em certo e errado. A noite curte todos. A noite nos permite estar relaxados, deixar de lado nossas máscaras, dá espaço para que aquele quê de menino(a)/palhaço(a) volte à tona. Ela é única.
O problema é que eu e a noite nos desentendemos. Ela mudou. Deixou de ser divertida. Deixou de ser livre, sem regras e sem limites. Deixou de ser eclética, mente aberta, topa-tudo. Às vezes, tenho a sensação de que a noite foi aceita no Big Brother, pois agora ela só anda com pessoas achatadas, saídas de uma fábrica de biscoitos, envoltos em uma mesma embalagem, desempenhando os mesmos papeis.
A noite era relaxada e virou uma neurótica. Transformou-se em uma patricinha mimada, fútil. Passou a me sugar tanto, tanto, que conseguiu provocar em mim um efeito que só a manhã costumava ter: arrancou lágrimas minhas. Foi por isso que nós demos um tempo.
E então eu comecei a passar mais horas do meu dia com outro: o forno. Não exatamente uma figurinha nova na minha vida, mas, ainda assim, durante muito tempo, nossa relação era apenas de coleguismo.
De repente, não nos desgrudamos mais. Assim que me livrava do trabalho, eu só queria estar com ele. Nada mais me interessava. Fizemos várias coisas juntas, todas muito maneiras. Divertimos-nos com nossos erros, com minhas trapalhadas de principiante e, inevitavelmente, nosso relacionamento foi mudando de status. Chegamos a um momento sério, bom, íntimo. Nem dá para imaginar que um dia fomos apenas colegas.
O problema é que, justo agora, quando tudo parecia tão bem e eu via nossa relação decolar, a coisa mudou de figura. Começou a desandar. Nosso lance deixou de ser simples, fácil. Os frutos da nossa interação, antes altamente positivos, passaram a ser duvidosos; em alguns casos, trágicos. Não sei o que houve, mas algo abalou nossa sintonia. A parceria perfeita rompeu-se. Rachou. E as marcas não nos deixam mais esquecer a má fase e retomar os momentos de glória.
Hoje, eu e o forno resolvemos dar um tempo.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Não dá mais pra mim
Tudo bem que hoje em dia os 30 são os novos 20. Tudo bem que estamos mais em forma, mais dispostas e até com mais grana pra gastar do que as mulheres da geração anterior (ainda que me pareça, sinceramente, que elas tinham muito mais pique do que nós: aquele tanto de filhos, o marido preguiçoso, uma casa fonte de pepinos... e sempre dispostas!). Tudo bem que não há mais limite de idade pra sair por aí bebendo uns drinques, chacoalhando o quadril e, quem sabe, beijando alguma(s) boca(s).
Mas chega a hora que você, minha querida, não serve mais para a balada. E essa hora vem sem avisar (com os homens é diferente; eles nunca sabem quando parar – e não é por falta de informação ou dica). Não se trata de atingir uma idade específica. Afinal, as mulheres já provaram que hoje são elas que ditam suas próprias regras. Quer dizer, até o dia em que a natureza se impõe, o momento temido surge (do nada e com tudo) e exaure toda e qualquer força baladística que existe no seu corpo! Você simplesmente fica atrofiada, definha.
Passei por isso na última semana. Após meses praticamente criando raízes em casa, fui intimada a sair. Já achava que não ia dar certo; sentia que meu momento noitada tinha morrido, mas topei. O problema é que, chegando ao local, eu e minha “intimadora” nos demos conta de que nossa hora chegou. Pra valer.
Então, aqui vão dicas para você que sente que seu momento também chegou.
Tenha certeza de que sua fase balada passou quando:
1. Você é a única de vestido longo e florido, rasteirinha, roupas soltas ou corpo praticamente coberto na noite. Mulher em sintonia com a balada só vai de roupa curta, apertada, em tons neon ou com brilho, saltão e decote, muito decote;
2. Você não aguenta sair sem casaco e, quando o faz, sente frio, muuuuuuuuuuito frio (tanto que só pensa em fugir correndo da fila e cair na cama quentinha!). Mulheres talhadas para a noite não sentem frio nunca;
3. Você mal entra no local e já reclama da música alta. Esse negócio de “tá fazendo muito barulho e “não tô te ouvindo direito” é coisa de gente velha. Gente preparada gosta de lascar o tímpano;
4. Você reclama do excesso de pessoas. Quer coisa mais gagá do que isso? Neguinho baladeiro AMA lotação! Mais biscoito no pacote para poder escolher! E você aí se queixando;
5. Você fica contando os minutos para ir embora e embarcar naquele sono bom, longo, profundo! Noiteiro que se preze não arrasta o pé da farra antes das 5h!;
6. Você para de beber com medo da Lei Seca. Imagina ficar sem carteira? Mas quem é profissional do ramo está sempre com um copo de álcool na mão! E de olho no Waze pra driblar a fiscalização, claro!
Viu? Às vezes, é preciso admitir a derrota e se dedicar àquilo que se faz bem: comer e dormir.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Ele não quer namorar?
Queridos, enquanto não arrumo tempo para postar uma crônica minha, coloco aqui um texto bacana do Ivan Martins! Divirtam-se!
"O mundo parece estar cheio de homens que não querem namorar. Eles me contam isso, as mulheres que saem com eles dizem isso. Eu não entendo. Que o sujeito hesite em morar junto, casar, ter filhos, comprar apartamento pelo SFH – tudo isso me parece compreensível. Esses são grandes passos e nem todos estão prontos para o compromisso. Mas namorar, tanto quanto eu sei, não dói. Andar de mãos dadas, viajar no feriado, ir ao cinema no sábado à tarde são atos no campo do prazer, não do dever. Não deveriam constituir um problema. No entanto...
Pergunte às mulheres e ouça o que elas têm a dizer sobre o assunto. Essencialmente, vão contar que os caras só querem o bilhete de ida. Estão a fim de uma viagem única. Se gostar do sexo, do agarro, do beijo, o sujeito volta; ou não. Tudo é negociado um dia de cada vez. Não há laços, nem fins de semana assegurados, muito menos exclusividade. Esta situação, que antes seria considerada transitória, agora pode durar indefinidamente. Do ponto de vista de algumas mulheres com quem eu tenho conversado, os relacionamentos ficaram parecidos com empregos precários: não há contrato, não há garantias e aviso prévio não existe. Pode acabar a qualquer instante, já que oficialmente nunca começou. É o amor terceirizado.
Da parte dos caras, a queixa é outra. “Eu não me envolvo”, eles reclamam. Sai moça, entra moça, e fica o mesmo vazio. A mulher que parecia espetacular perde o brilho em poucos dias. A empolgação inicial não se sustenta. Tudo se resume a um desejo passageiro, que pula de uma dona para outra. Como nada ganha relevo, tudo é igual a tudo. Então se trata, simplesmente, de administrar uma agenda com vários nomes. Isso inclui Facebook, celular e muitas horas vazias e solidão. Um dia a Fulana, outro dia a Sicrana, amanhã, quem sabe, alguém capaz de fazer diferença. Em cada uma delas, novidade e prazer. Nos intervalos entre elas, ansiedade e tédio. Entre uma e outra, angústia.
Como eu já disse, não entendo muito bem essa dificuldade. Acho bom demais namorar. Melhor coisa do mundo, na verdade. Os primeiros meses de namoro são melhores que banho de cachoeira, melhor que pegar jacaré no fim de uma tarde de verão, melhor que ficar bebum em companhia de amigos queridos. No namoro a gente descobre (ou redescobre) que pode ser feliz, que o nosso romantismo não morreu, que existe dentro de nós um sujeito capaz de gestos arrebatados e pensamentos delicados, um cara que se lembra de comprar um presente inesperado e de mandar um poema no meio da tarde, pelo celular. Quem não gosta de sentir-se assim levanta a mão - e corre assim mesmo, de mão erguida, para o analista mais próximo!
Então, não acho que os homens tenham problemas com isso. Seria desumano. Minha impressão é que há dois tipos de situações, a simples e a complexa. A simples é realmente simples: ele não quer namorar você, mas não significa que não queira namorar em geral. As mulheres às vezes confundem. Criam fantasias sobre as dificuldades afetivas de um cara que apenas não está a fim delas, mas cai de quatro dias depois pela próxima mulher que entra na vida dele. Isso acontece o tempo todo. É do jogo. Levanta e vai à luta, menina.
Mas há outro tipo homem para quem namorar é realmente um problema. Entre ele e o oásis de ternura e erotismo chamado namoro caminha a besta vigilante da ansiedade. A fera peluda de olhos flamejantes impede o sujeito de se concentrar. Faz com que ele se disperse numa multidão de desejos conflitantes. Diante de tantas garotas, diante de tamanha possibilidade de prazer, o cara não consegue fixar sua atenção em ninguém. Quer tudo, deseja todas, e, por mais que obtenha, continua insatisfeito - porque há sempre mais ao redor. Sempre existe uma mulher mais bonita, mais sexy, mais interessante na próxima esquina. Se a bússola do coração está quebrada, seu dono nunca vai achar o Norte. É uma corrida sem linha de chegada. Mesmo sozinho e miserável, o sujeito seguirá esperando a resposta definitiva do universo às suas inatingíveis aspirações. Pode chamar isso de burrice, mas eu acho que é mesmo ansiedade e desassossego. Uma forma destrutiva de romantismo.
As mulheres se julgam as criaturas mais românticas do planeta, mas talvez não sejam. Olhe em volta: diante de um cara apaixonado, bacana, determinado a ficar com elas, boa parte das mulheres sossega. O cara pode não ser perfeito, mas se torna “o cara”. Há nisso um pragmatismo que muitos homens perderam. Enquanto as mulheres escolhem de maneira apaixonada, mas com os pés no chão, eles parecem viver nas nuvens, sonhando com a mulher perfeita. Como ela não aparece, o cara vai testando uma atrás da outra, como se levasse um sapatinho de cristal no bolso. O padrão de exigência é elevado, opressivo talvez. Muitas vezes baseado apenas em aparência. Tem homem adulto se apaixonando pela mulher da capa de revista, por atriz de filme pornô, por modelo americana. Homens de 30 anos, eu digo. Homens de 40. Não há limite de idade para o desvario. Uma legião de barbados de todas as classes e graus de instrução vive à mercê de fantasias que bloqueiam as construções afetivas verdadeira. Como o sujeito vai namorar se a mulher da vida dele pode aparecer do nada na semana que vem? Se você está apaixonada por um cara assim, talvez seja melhor dar um tempo e esperar ele pousar na Terra. Pode demorar uns aninhos.
O Alain de Botton, que virou meu guru nesses assuntos, lembra que ali pelos 40 anos o sujeito já começa a perceber que vai morrer, e isso acrescenta a tudo que ele faz uma tinta de urgência. Sobretudo no sexo. Antes de empacotar, antes de ficar broxa e caído, é preciso aproveitar a juventude – dos outros. Esse sentimento é forte. Se o jovem quer todas as mulheres do mundo porque está nadando em desejo e inexperiência, o mais velho sente o mesmo porque acha que está saindo de cena e tem fome de vida. O período de maturidade masculino, essa quimera científica, fica cada vez mais curto, espremido entre duas áreas de insensatez em expansão.
Claro, não há dois homens iguais. O roteiro que eu descrevo não vale para todos. Talvez valha só para uma minoria ruidosa. A maioria – quem tem essa estatística? – deve estar feliz agora mesmo, encomendando na internet o presente de Natal para a namorada. Ou planejando uma viagem romântica de Ano Novo com ela. Não sei. Olho pro mar e vejo apenas quem está se afogando – e são muitos. Se eu pudesse dizer alguma coisa para eles, diria “pare, respire, comece alguma coisa”. Escolha alguém que toque os seus sentimentos e se deixe ficar ao lado dela. As mulheres, quando querem, quando nós deixamos, têm um jeito gostoso de nos fazer felizes. Pode não ser para sempre, mas quem se importa? A vida é um dia de cada vez – e eles são melhores quando a gente está namorando."
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Tirando onda
Homem tem sempre que estar por cima da carne seca, principalmente quando o assunto são as mulheres (e os relacionamentos). Não importa o preço a pagar. O que ele não pode é permitir que a mulher tenha qualquer espaço para se sentir segura, confiante, no comando (ainda mais quando a coisa está engatando, que é quando ele mais precisa mostrar que é fudêncio). Quando isso acontece, tem início a batalha masculina para recuperar o posto de “é você quem está na minha e não o contrário, baby”. E aí, colega, vale tudo. Até distorcer histórias.
O grande problema é que se você, homem, decidiu mentir para virar o jogo, pelo menos minta convincentemente – e jamais permita que a mulher descubra a verdade. Porque aí, cara, você estará para sempre desmoralizado. Não importa quão bom você seja no resto.
Eu, por exemplo, já fui alvo desse esquema. Um cara, aparentemente muito interessado, fazia planos mirabolantes para ficarmos juntos. O problema foi que ele resolveu tirar aquela onda com a minha cara, pra ver se eu ficava com medinho de perdê-lo e passava então a idolatrá-lo (até porque os caras acham mesmo que as mulheres com mais de 30 são escolhidas e não mais escolhem... Tolinhos...).
Enfim, ele soltou uma lorota sobre uma mulher que avançou nele no meio do expediente. E deu detalhes de como apenas foi educado, “por causa do trabalho, você sabe, né gata?”.
O pior foi que, horas após a tal história, ele logou no Facebook para me mostrar o rosto da tal “avançadinha”. E eu, que não sou boba, aproveitei para ler as mensagens que eles trocaram. Surpresa zero ao ver verdadeiramente como a história se desenrolou.
Foi ele quem adicionou a garota, puxou conversa, partiu pra cima. No mesmo minuto, ele viu que tinha perdido. Levantou todo irritado, calçou o sapato e saiu bufando sobre a minha infantilidade (minha? Hum...). Quis virar o jogo, colocar a culpa em mim.
“Ô, seu menino, perdeu?” Então, engole o choro e vaza com o resto de decência que lhe sobrou. Mas não vira e tenta me fazer sentir mal pelas suas mentiras. Como dois bons solteiros, tudo o que ele precisava ter feito era guardar a história pra si. Mas não. Quis tirar onda, vantagem. Como se não bastasse, ao sacar que me perdia, soltou a desculpa: “era só sexo”. Mereço?
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Aonde vamos parar?
Eu consigo até entender por que as pessoas traem. Desejo incontrolável, a emoção do proibido, concretizar uma conquista há muito sonhada, tédio no relacionamento e até mesmo aquela vontade desesperada de se sentir amada por alguém (já que o parceiro anda dormindo no ponto). Ainda assim, sou contra.
É que, apesar de entender o motivo da pessoa, não consigo concordar com nenhum deles. Traição é traição, como diriam os “poetas” do funk. E eu sou absolutamente contra qualquer tipo de traição, do selinho ao sexo consumado.
Aliás, sempre pensei assim. Eu acho que quando você decide ficar com alguém, topa entrar em um relacionamento, você está se comprometendo com aquela pessoa – a não ser que exista entre vocês um acordo explícito de que fidelidade não é importante. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém; todos temos direito a continuar livres e soltos – e aproveitar como quiser as oportunidades que aparecerem pelo caminho! Agora, se você fez a escolha de ficar com alguém pra valer, encare essa escolha!
O que mais me desagrada na traição é a falta de respeito pelo parceiro. Sempre imagino a cena de um dos dois em casa, esperando pelo outro, enquanto a fuleragem rola solta... Coitado de quem ficou em casa, ouviu as desculpas do outro sobre o excesso de trabalho, as reuniões sem fim, e ainda recebeu o traidor de braços abertos, cheio de carinho pra dar. Ninguém merece passar por isso: se dedicar a um relacionamento, acreditando que toda renúncia vale a pena, enquanto o outro fica atrás do melhor dos dois mundos.
Ainda que abomine qualquer tipo de traição, com o passar dos anos aprendi a diferenciar os tipos de pulada de cerca – e acho que há umas mais justificáveis, entendíveis, e outras menos. Por exemplo, acho mais fácil aceitar a pessoa que busca “consolo” após se sentir totalmente largada, abandonada pelo parceiro – isso depois de várias tentativas de conversar e resolver os problemas. Ainda sou a favor de cair fora primeiro e só depois procurar outra pessoa, mas pelo menos consigo entender quem trai em uma situação dessas.
Agora, quem trai por esporte me mata. Acho um absurdo quem fica por ficar, só para não perder a prática ou só porque o instinto “pede”. Pior: quando a traição é pública, bem na cara de quem quiser ver. Sinceramente, por que não continuar solteiro e piriguetar loucamente em vez de deliberadamente optar por humilhar, desrespeitar e enganar aquela pessoa que está a seu lado? Honestamente, se é para isso que lutamos tanto, se é esse o tipo de “evolução” ou liberdade que as pessoas buscam, pode parar tudo porque quero descer.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Quebre suas próprias regras
É bom ter regras, criar certa disciplina na vida, ter certo direcionamento. Saber o que se quer, como se quer, quanto se quer. É bom lutar por uma meta, um ideal, um objetivo. É bom ser firme, defender seus pontos de vista. É bom conhecer o caminho que se quer trilhar e seguir em frente, com ânimo, ímpeto. Mas é verdade que também é uma delícia se permitir uma folga.
Sabe quando você faz uma coisa que ninguém esperaria e ainda assim sente-se bem, apesar de qualquer crítica? Pois é. É disso que estou falando. Talvez você nem seja criticada pelos outros, mas por aquela pessoa que mais teme: você mesma. Quantas vezes nos punimos por agir de uma forma “diferente”? Quantas vezes nos rebaixamos por nos permitir algo novo ou “proibido”? Quantas vezes nos sentimos culpadas e somos duras com a gente mesma? E a verdade é que não deveria ser assim. Afinal, quebrar as regras pode ser mesmo muito bom.
Por exemplo, no meu caso, ficar com alguém por ficar, só para dar um up na autoestima.
Sempre fui muito radical com esse negócio de ficar. Sempre tive pra mim que ficar por ficar é bobeira. A ficada, para mim, tem que ser uma coisa pensada, organizada, com fins claros. Ficar só mesmo com alguém por quem se tem um interesse genuíno ou com quem possa rolar um algo mais (ou seja, namoro), ainda que o cara não tivesse qualquer pretensão de algo mais sério (quero deixar claro que essa regra vale única e exclusivamente para mim. Jamais condenei uma amiga ou alguém por pensar diferente. Até porque eu ficaria quase sem amigas! Rs!).
Enfim. Carreguei essa regra comigo desde que os garotos começaram a se tornar uma realidade em minha vida. E, na maior parte das vezes, fui fiel à regra. Mas tive muito orgulho de quebrá-la.
Uma dessas vezes em que quebrei a regra e saí feliz da vida foi quando fiquei com um megagato. Rs! Eu sei que parece uma idiotice, mas, naquela noite, eu precisava de um boom na autoestima. Com tanta gente linda circulando, jamais achei que fosse sobrar um gato pra mim. E sobrou. E foi lindo! Eu me senti uma mulher poderosa, bonita, capaz, bacana, divertida... Tudo isso porque ele me abordou.
Engraçado como uma coisa tão boba pode afetar tanto o nosso psicológico, positivamente! Eu já sabia que aquela seria apenas uma ficada, sem pedido de telefone ou segundo round, mas, nossa, como me trouxe bons frutos!
Nessa noite, eu mudei. Mudei a forma como vinha me encarando nos últimos meses, coloquei uma tristeza chatinha de lado e me senti confiante. Confiante na vida, no futuro e até nos homens (veja só o que uns bons beijinhos podem fazer pela gente).
Não vou mentir. Tive que lutar contra o meu lado racional e minha regra eterna. Afinal, qual o motivo para aqueles beijos sem futuro? Aquilo me levaria aonde quero chegar? Não, não levaria. Mas, sem querer, eles trouxeram de volta a leveza de que precisava para continuar firme em meu caminho.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
O equilíbrio
O último texto, Orgulho de ser mulher?, rendeu um comentário lindo da amiga Lyana! Ela me mandou por e-mail, mas resolvi compartilhar com vocês. Aproveitem!
Por Lyana Azevedo
“Essa é pra casar.” Quem não conhece essa frase? Nossas avós um dia foram “rotuladas” assim. Porque sabiam bem como se portar, como ser esposa e mãe, sem deixar de ser mulher. Aquela mulher que cozinhava, bordava e cuidava da casa como ninguém, mas que nem sempre tinha estudo, não podia trabalhar e nem votar. Sexo era assunto proibido e exercício com fins de reprodução. Sexo com prazer era exclusividade masculina.
Depois, as mulheres exigiram direitos: queriam votar, trabalhar, usar calça e cabelo curto. Queimaram sutiãs. E, pelas minhas contas, foi essa a curva errada da história. Porque junto com os direitos adquiridos, vieram os deveres. E, junto com os dois, o erro da conta: enquanto a intenção era valorizar a mulher como cidadã e profissional, o tiro saiu pela culatra e a mulher acabou se desvalorizando. Os homens até se opuseram no início, mas depois perceberam que não havia mal nenhum em ter mais um salário – desde que menor que o deles –, dividindo as contas, se eles não precisassem dividir a louça, a limpeza, a roupa suja ou o fogão. Perfeição, não?
E veio a nova revolução feminina: mulheres cidadãs e profissionais quiseram que seus maridos, namorados e irmãos dividissem com elas as tarefas domésticas. Foi onde muitos homens tomaram gosto pela cozinha, que passou a se chamar gastronomia, ou pela costura, que passou a estilismo. Até as máquinas de lavar acrescentaram a função secar para agradarem aos homens.
Hoje, as mulheres da nova geração são cidadãs, profissionais, eleitoras, formadoras de opinião, líderes. Têm em casa maridos que fazem compras do mês, namorados que cozinham melhor que elas, irmãos que entendem mais de moda. E isso inclui a geração de 30 e tantos, que começou isso sem perceber. O que mais faltava às mulheres revolucionar?
Mais uma vez na história a mulher inicia uma revolução: a revolução do corpo. De corpos expostos, malhados ou não, novos ou não, adornados com piercings até onde não se imagina um, esticados, lipados e preenchidos. Do lema “o corpo é meu e eu decido o que faço com ele”. O problema é que o tiro novamente saiu pela culatra. O culto ao corpo foi desvirtuado de geração saúde para geração seminua. A liberdade de expressão por meio da arte no corpo passou a arma de sedução quase sado-maso. E “o que fazer do corpo”, que expressava a opção do aborto, do direito a ter prazer e dar prazer quando achasse por bem, passou à condição de utensílio sexual descartável. Tem homem que, dependendo do meio onde vive, pode até usar a mesma camisinha duas vezes, mas não usa a mesma mulher.
E é claro que existem sobreviventes. Confesso que passei pelo processo: bebi demais, vesti roupa de menos, fiz muito mais que devia com gente que nem sabia o nome. Mas estou aqui, sóbria. Outras colegas de gênero talvez não tenham passado por isso, provavelmente crias de uma sobrevivente do período anterior. As piores são, sem dúvida, as que apelam à desvalorização para se satisfazer de certa forma, num processo parecido com “no pain, no gain”, onde dor é se vestir de adolescente, se comportar como cachorra – e chorar como criança no dia seguinte. E ganho é só se sentir emocionalmente saciada depois de umas mãos na bunda, uns amassos do canto da boate e, se der sorte, um sexo medíocre – mas só se ela se dispuser a pagar o motel.
Existe esperança? Hei de confessar que meus maiores prazeres hoje são caminhar “sem pressão e por saúde” e cozinhar pro meu namorado. Não deixo de estudar, de ser profissional reconhecida, de criticar e revolucionar. É um equilíbrio. Cada uma de nós há de achar o seu.
Muitos processos de ajuste se dão com a evolução e o exagero misturados, onde é preciso aparar arestas, avaliar e deletar, reestruturar o desestruturado. Espero que a próxima geração – e quem sabe as nossas filhas não estejam nessa – seja finalmente a que valoriza, de forma saudável e equilibrada, o que é ser mulher de verdade, mesmo que longe de perfeita.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Orgulho de ser mulher?
Já tive muito, muito orgulho de ser mulher. Nossa doçura, nossa delicadeza, nosso jeito de querer fazer do mundo um lugar melhor, nosso coração de mãe, nosso amor sem limites, nossa infindável fé nos homens, no futuro... Coisa de Deus, com certeza.
Hoje, infelizmente, já não posso dizer o mesmo. Meu orgulho está arranhado. Confesso que, com frequência, sinto-me envergonhada por ser garota. Esse sentimento de decepção ficou pior nos últimos dias. Uma simples festa me deixou traumatizada.
Ao chegar ao local da festa “junina”, meu queixo caiu. A começar pela vestimenta das mulheres. Em uma noite fria, imagina-se encontrar pessoas vestidas apropriadamente. Mas por lá tudo estava às avessas: vestidos não apenas justos, mas torados, não apenas curtos, mas minis (deixando entrever celulites, calcinhas e designs interiores), não apenas decotados, mas ínfimos, irrelevantes, suficientes para cobrir bicos...
Por que será que as coisas mudaram? Por que será que o importante hoje é se expor, se mostrar, como carne em açougue? Acho deprimente, degradante. Cadê a decência? Cadê o mistério, tão relevante para despertar o interesse? Cadê o respeito pelo próprio corpo? É o fim dos mundos sair de casa praticamente nua para conseguir chamar a atenção de quem quer que seja...
Será que essas mulheres já pararam para pensar no tipo de mensagem que passam? Baratas, fáceis, vulgares, para dizer o mínimo. Características que eram associadas às mulheres da vida, mas que hoje viraram lugar comum... Que pessoa admira alguém que se veste de forma tão degradante, tão exposta? Claro, os homens parecem adorar o novo estilo feminino, afinal, com isso, eles podem conseguir tudo o que sonham sem precisar se esforçar, sem precisar gastar lábia, sem precisar pagar...
Mas a coisa não para por aí. O problema não está só nas roupas. As atitudes também estão denegridas. As mulheres de hoje bebem demais, beijam qualquer um, transam rápido demais e acham que pegar uma pessoa por noite, imitando os homens, significa direitos iguais. Se pelo menos as mulheres imitassem os homens decentes, os homens educados... Não, foram logo copiar os depravados, canalhas, desrespeitosos... Para quê? Tudo bem. Queremos ter o direito de escolher com quem casar, queremos poder separar quando o casamento vai de mal a pior... Mas o que vemos hoje vai muito além disso.
O pior é que fica parecendo que todas são assim... Eu não sou mais respeitada pelos caras da balada porque centenas de piriguetes deixaram bem claro que não querem, nem precisam, ser respeitadas. Elas querem ser tratadas como iguais, querem só uma chance de mostrar que são tão "ousadas" quanto eles...
Outra coisa que me chocou foi a quantidade surpreendente de pessoas mais velhas nas baladas (curioso como o número de homens mais velhos é infinitamente menor). Nada contra o direito dessas mulheres de saírem de casa, dançarem, se divertirem, mas como é feio vê-las seminuas, avançando nos caras, quando, no fundo, deveriam ensinar bons modos às novas gerações.
Sinto MUITA falta da época em que os homens se aproximavam para conversar... Quando se aproximavam porque havia um desejo genuíno de conhecer você e não qualquer uma... De como gastavam uma balada inteira só conversando, trocando ideias, para então conseguir seu número de telefone e continuar a conquistá-la. Como se esforçavam para levar a mulher para jantar, como pagavam a conta, como abriam a porta do carro... E isso não faz tanto tempo assim. Uma década no máximo.
Hoje, o cara já chega agarrando você pela cintura, chamando de gostosa, tentando roubar um beijo após meio minuto de conversa e caso não consiga o que quer dá chilique, sai falando palavrão e ainda investe na sua melhor amiga, sem o menor peso na consciência (pior é quando a amiga fica com o cara...). E isso quando não inventa que tem que ir ao banheiro e aí some. Ridículo. E por que será que esse comportamento leviano, desrespeitoso veio para ficar? Depois de muito pensar, vi que a culpa está no sexo feminino.
Somos nós que freamos esses impulsos pegajosos, somos nós que ditamos o tempo e o ritmo dos homens, das paqueras, somos nós que permitimos ou não certos comportamentos, certas atitudes. Mas se resolvemos adotar uma postura moderninha e mostrar que topamos qualquer esquema, nada mais segura os homens...
Espero, honestamente, não ter que enfrentar outra situação como essa, de ver a degradação feminina; espero nunca ser confundida com os membros desse mundinho superficial; espero não me contaminar. Torço para que haja por aí não apenas mulheres que pensam como eu, mas também homens que valorizam as mulheres de antigamente, tradicionais, que não apoiam essa postura.
Nada contra uma mulher trabalhar. Nada contra ter mais direitos. Nada contra poder se aproximar de um homem e puxar um papo, sem ter que esperar que ele se aproxime. Mas tudo contra se perder na vida e se comportar como um ser barato, sem valor e descartável.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Addicted to love
Queria entender qual o nosso lance com o amor. Por que será que precisamos tanto de amor para viver? Por que ficamos tão fragilizadas quando não há amor por perto? Por que adoramos dizer ‘eu te amo’? Por que nos sujeitamos a tantos namoros loucos, solitários ou baixo astral só para ganhar um pouquinho de amor vez ou outra? Alguém deve ter uma boa explicação para tamanha dependência feminina...
Os homens não são nada como nós. Não que desprezem o amor. Mas é aquela coisa. Se ele acontecer, o momento for adequado e houver espaço na agenda, o amor até é bem-vindo. Já com a gente...
Parece que nascemos ocas, faltando um pedaço. Já saímos da barriga de nossas mães conscientes de que não estamos completas e de que necessitamos de alguma coisa ou alguém para nos sentirmos plenas – e poder viver feliz, em paz.
Sem amor, parece que não há nada. Sem amor, o sol não brilha, a noite é fria e a luz das estrelas é opaca. Sem amor, não há riso puro, não há troca verdadeira, não há felicidade espontânea. Sei lá, parece que as coisas perdem a graça e a gente passa apenas a empurrar a vida com a barriga, em vez de vivê-la em sua plenitude.
É por isso que sempre busco o amor onde estou, aonde vou, nas pessoas que convivem comigo. Submeto-me às videntes mais cascateiras só para ouvir que há muito amor no meu futuro, que o amor vai abrir muitas portas ou que o novo amor trará ‘ganhos’ (seja lá o que for que isso significa). E não importa o gabarito da vidente: se falar de amor, ela me dobra, me ganha.
Às vezes penso em como seria prático ser homem. Não namorar aquela mulher maravilhosa, por quem se está perdidamente apaixonado, só porque aquele não é o melhor momento (um dia ainda gostaria de entender esse negócio de ‘melhor momento’); não ligar para aquela menina bacana da balada porque pegar todas é muito mais simples e diversificado; não dizer ‘eu te amo’ e entrar de cabeça porque, enfim, vai que um dia a coisa termina – e aí é melhor se poupar de qualquer sofrimento.
Mas sempre que essa ideia louca aparece, eu faço questão de arremessá-la longe. Mesmo com todo o sofrimento, mesmo com toda a dor, mesmo com todas as decepções, amar ainda é a melhor coisa da vida. Não imagino minha vida sem amor. Não imagino meus dias sem esse brilho. Não imagino um futuro sem toneladas e toneladas transbordantes de amor, abalando constantemente (e para melhor) meu jeito, minhas teses, meus argumentos. Afinal, amar é ver o mundo com o melhor dos filtros.
